Ex-Santa conta sobre a carreira de Medicina e o lançamento de seu novo livro

Jose-Maria-Orlando

Dr. José Maria Orlando, formado pela 12ª turma de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dr. José Maria Orlando é formado pela 12ª turma de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com título de especialista em Medicina Intensiva, foi presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), entidade que congrega os profissionais de saúde atuantes nas unidades de terapia intensiva do país. Exerceu ainda o cargo de secretário municipal de Saúde adjunto do Município de São Paulo, entre os anos de 2009 e 2012. Em entrevista ao Boletim Conectar, o ex-Santa falou sobre o que o motivou a escolher o curso de Graduação em Medicina e do lançamento de seu novo livro “Vencendo a Morte”, que tem lançamento nesta terça-feira, 31 de maio.

 

Conectar: Como o senhor decidiu seguir a carreira na área médica? E quais os motivos o levaram a estudar na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo?
José Maria Orlando: O encantamento com a ciência e a arte médica foi emoldurando minhas expectativas e sonhos, principalmente durante os anos de estudos e práticas na própria Faculdade, quando se torna, de fato, possível entender melhor a opção feita para o concurso vestibular. A Santa, desde sempre, reservava ainda outra característica especial em seu currículo acadêmico. Diferentemente da maioria das escolas médicas do país, estudar na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo significava acrescentar mais um ingrediente decisivo para testar a real aptidão dos jovens estudantes com respeito à arte médica. Assim, logo no primeiro ano tínhamos de encarar nosso destino irrefutável e iniciar precocemente o rito fundamental da Medicina: o relacionamento direto com os pacientes. Dessa forma, caso ainda houvesse algum risco de que nossa escolha pela carreira médica tivesse sido, eventualmente, equivocada, ela não resistiria à prova definitiva do contato precoce com os doentes nas enfermarias do hospital.

Conectar: Conte-nos um pouco sobre sua trajetória acadêmica e profissional.
José Maria Orlando: Ao concluir os dois anos de Residência em Clínica Médica, eu me tornei o primeiro residente da disciplina de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Mas, àquela altura, eu já havia sido “contaminado” de forma irreversível pelo fascínio que a Medicina Intensiva exercia sobre mim. Portanto, deixei de lado a possibilidade concreta de seguir carreira acadêmica e passei a me dedicar full-time ao trabalho em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A partir daquela decisão, meu envolvimento associativo aconteceu naturalmente e, em 1983, eu ingressei no quadro diretivo da Sociedade Paulista de Terapia Intensiva (Sopati). Em 1994, passei a compor a diretoria executiva da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), vindo a presidi-la por duas gestões consecutivas (2004-2005 e 2006-2007). Antes de me aventurar a escrever sobre um tema histórico voltado para o público em geral, eu publiquei dois outros livros técnicos na área de Medicina Intensiva: “UTI – muito além da técnica: a humanização e a arte do intensivismo”, em 2001 e “UTIs Contemporâneas”, em 2008.

Conectar: Alguma lembrança marcante de sua turma?
José Maria Orlando: A Turma 12 de Medicina da FCMSCSP, de 1979, teve o privilégio de conviver com vários excelentes mestres, mas um deles merece especial menção: Prof. Dr. Walter Edgard Maffei. Além de nome muito respeitado na Anatomia Patológica, seus conhecimentos eram vastos sobre Medicina de uma forma geral. Acredito que muitos de seus alunos ficaram marcados por tal ensinamento valioso, não apenas para o desempenho da Medicina, mas como lição de vida. Em meu livro eu rendo uma singela homenagem ao Prof. Dr. Maffei como símbolo de um comportamento crítico que deve estar sempre permeando as atitudes do médico que conduz o tratamento de seus pacientes, sem nunca deixar de questionar mesmo aquilo que, em uma primeira análise superficial, parece ser o mais óbvio.

Conectar: Qual é a proposta do livro “Vencendo a Morte”, de sua autoria?
José Maria Orlando: As guerras estão, invariavelmente, associadas às grandes desgraças da humanidade, por conta de todos os infortúnios que as acompanham. Este livro, no entanto, busca explorar um lado menos visível dessa história, sempre carregada de tantos sofrimentos, dores indizíveis e profundo terror e que vem assombrando os nossos piores pesadelos, ao longo dos séculos. É possível, mesmo contrariando o senso comum, identificar eventuais benefícios para a própria humanidade, como subprodutos insuspeitos e positivos do enorme caos e da tragédia humana provocada pelas guerras. Até pouco mais de cem anos atrás, as guerras matavam mais por conta das infecções que complicavam as feridas, enquanto que as cirurgias eram limitadas por não haver ainda a anestesia. Foi dessa maneira que afloraram algumas novas descobertas científicas em vários campos do conhecimento e, em especial, para a Ciência Médica, como é o caso do aprimoramento de algumas técnicas cirúrgicas, por exemplo. Em muitas outras situações os campos de batalha transformavam-se em imensos laboratórios a céu aberto e, assim, permitiam testar, em grande escala, novos procedimentos e medicamentos.

Conectar: Quais suas motivações para escrever sobre este tema?
José Maria Orlando: Tanto durante o 6º ano da Faculdade, como na Residência em Clínica Médica, eu realizei meus estágios eletivos na UTI da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP). No contato diário com nossos preceptores, à época, era frequente ouvirmos menção à importância das guerras para as pesquisas médicas voltadas a alguns dos mais impactantes quadros clínicos e que são, ainda hoje, responsáveis pela internação de muitos pacientes em UTIs. Essa íntima vinculação entre as guerras e algumas das principais entidades clínicas que fazem parte da rotina diária das UTIs despertou em mim a curiosidade por aprofundar minhas pesquisas bibliográficas e, assim, conhecer, em mais detalhes, a evolução histórica dessas doenças.

Serviço
Lançamento do livro “Vencendo a Morte: como as guerras fizeram a Medicina evoluir
Local: Livraria Leitura – Shopping Cidade São Paulo – Avenida Paulista, 1230 – 2º Piso – São Paulo (SP)
Horário: A partir das 19h00.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 89, em 31/5/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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