Viagem de avião: entenda efeitos no organismo e quais cuidados tomar

Vânia Melhado e alunos

Dra. Vânia Melhado e alunos integrantes da Liga de Medicina Aeroespacial da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Sabemos que viajar de avião pode mexer muito com o organismo dos passageiros. Percebemos isso principalmente pelo cansaço, conhecido como “jet lag”. Além desses sintomas de exaustão relativamente comuns, o corpo, entretanto, podereagir de maneiras um pouco mais sérias. A Dra. Vânia Elizabeth Ramos Melhado, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira da Medicina Aeroespacial (SBMA), conta, nesta entrevista ao Boletim Conectar, mais sobre o assunto. Entenda com a especialista quais cuidados devem ser tomados antes de embarcar em um voo de longa duração.

Conectar: Quais são os efeitos que uma viagem de avião provoca no organismo dos passageiros? O que acontece com o nosso corpo?
Vânia Melhado: As adaptações do organismo humano em ambiente hipobárico são consequências da altitude em que este se encontra e assim podemos considerar estas adaptações proporcionais à altura. São elas:

Expansão dos Gases: durante exposições à baixa pressão barométrica, o volume de um gás normalmente presente nas cavidades do corpo, tais como a orelha interna, seios da face e trato gastrointestinal aumentam e podem causar sintomas. Esta dilatação é explicada pela Lei de Boyle-Mariotte, na qual, em temperatura constante, o volume de um gás é inversamente proporcional à pressão barométrica, explicando assim a expansão dos gases durante a exposição à altitude.

Hipóxia Hipóxica: é o resultado da redução na tensão do oxigênio no sangue arterial e consequentemente nos capilares. A etiologia neste caso é a baixa tensão do gás inspirado associado à exposição à altitude. A hipoxia é a causa mais grave dos problemas médicos que possam ocorrer e é proporcional a altitude.

Conectar: Embora as cabines dos aviões sejam pressurizadas, há uma variação na pressão do ar de acordo com a altitude do avião e consequente diminuição do oxigênio disponível. Quais seriam os riscos dessa alteração de pressão e nível de oxigênio para indivíduos que enfrentam problemas respiratórios ou problemas de pressão? É possível evitá-los de algum modo?
Vânia Melhado: Até 3.048 metros (10.000 pés), as adaptações do organismo humano em indivíduos saudáveis são consideradas seguras e não há necessidade de suplementação de oxigênio, porém devemos sempre considerar que os sinais e sintomas da hipoxia têm grande variação individual, assim treinamentos em câmaras hipobáricas são realizados para pilotos militares e comercias no sentido de sua identificação individual precoce.

Conectar: Pessoas com cardiopatias ou doenças respiratórias preexistentes precisam consultar um médico antes de fazerem longas viagens de avião? Por quê?
Vânia Melhado: Para passageiros com doenças preexistentes, o ambiente aéreo pode exacerbar condições de saúdeque costumam ser estáveis no chão. No que diz respeito à maioria dos indivíduos com doenças crônicas à aplicação pelo médico das adaptações fisiológicas do organismo ao ambiente do voo geralmente é suficiente para a tomada de decisão com o paciente para a definição da viagem neste momento ou não.

Conectar: Quais cuidados o indivíduo saudável deve ter antes de viajar? Há alguma orientação específica?
Vânia Melhado: Um teste simples que pode ser aplicado pelo médico para verificação da capacidade de adaptação em indivíduos portadores de doenças crônicas frente à hipóxia hipóxica é o teste de distância de 50 metros com discreto aclive. O paciente deve cumpri-lo sem apresentar dispneia, se tolerar, está apto a viagem, se não tolerar, o risco de não tolerar também a hipoxia relativa da cabine de uma aeronave deve ser considerado alto.

A maior parte das empresas aéreas segue diretrizes internacionais para saúde do passageiro em voo com o objetivo de manter a saúde dos passageiros, da tripulação de voo, dos demais passageiros bem como prevenir atrasos, diversões ou deterioração do estado de saúde do passageiro enfermo. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) recomenda um formulário médico específico, conhecido pela sigla MEDIF (Medical Information Form) que deve ser preenchido pelo passageiro, pelo médico assistente e enviado ao Serviço Médico da empresa para avaliação antes do embarque.

Para saber mais sobre este assunto, consulte a cartilha “Doutor, posso viajar de avião?”, desenvolvida pela Dra. Vânia Elizabeth Ramos Melhado e os alunos integrantes da Liga de Medicina Aeroespacial da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 85, em 5/4/2016. Assine nossa newsletter: www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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