Esquizofrenia e esclerose lateral amiotrófica é tema de pesquisa conduzida por docente da FCMSCSP

Tatiana Rosado Rosenstock

Dra. Tatiana Rosado Rosenstock, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

A Dra. Tatiana Rosado Rosenstock, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, acaba de ter um projeto aprovado (Projeto Jovem Pesquisador) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A intenção do estudo, explica a docente, é buscar correlacionar alterações de transcrição gênica e a função mitocondrial em modelos de esquizofrenia e esclerose lateral amiotrófica para encontrar mecanismos pra impedir que neurônios ou astrócitos fiquem disfuncionais e morram: “O meu projeto visa não apenas entender o mecanismo pelo qual essas células morrem, mas também tentar impedir esse processo através de modificações gênicas que possam levar ao aumento da produção de energia pelas mitocôndrias. De uma maneira bem linear seria: gene – mitocôndria – energia – sobrevivência neural”, esclarece.

Mesmo sendo a esquizofrenia uma doença psiquiátrica, ela também pode, muitas vezes, ser “encarada” como uma doença neurodegenerativa, e a intenção, com o projeto, é justamente buscar uma forma de impedir que o neurônio fique disfuncional e consequentemente degenere. “De uma forma geral, o neurônio que não funciona bem tem maior probabilidade de morrer. Pensando na clínica, um paciente não tratado ao longo de 10 anos de crises sucessivas terá maior processo degenerativo do que um indivíduo que teve apenas um surto psicótico. Por isso, o ‘tratar’ a disfunção celular inicial é tão importante”, relata a Dra. Tatiana.

Além de colaborações internas, como a do Prof. Dr. Hudson Buck, chefe do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP e de alunos da Instituição (IC ou pós-graduandos), o projeto conta com colaborações de docentes dos departamentos de Bioquímica e Farmacologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Centro de Desenvolvimento de Modelos Experimentais para Biologia e Medicina (Cedeme, Unifesp) e da Universidade de São Paulo (USP). “Quando eu escrevi o projeto, estava em fase de transição, por isso preferi ter uma rede de boas colaborações. Isso me assegura que todos os experimentos propostos possam ser realizados, aqui na Faculdade, ou em outro lugar. Sempre falo que ciência não se faz sozinho, por isso, procuro me cercar de bons profissionais e lugares de excelência para a pesquisa”, conclui a Dra. Tatiana Rosado Rosenstock.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 85, em 5/4/2016. Assine nossa newsletter: www.fcmsantacasasp.edu.br.

Retenção de líquidos: saiba como evitar

Graziela Ramos B de Souza

Prof.ª Mestra Graziela Ramos B. de Souza

O corpo humano é composto por 70% de água. No entanto, algumas vezes, por diversas situações, o organismo retém água em excesso, o que resulta em inchaços que podem levar, inclusive, ao ganho de peso. Para saber mais sobre a retenção de líquidos e os cuidados a serem tomados, o Conectar entrevistou a Prof.ª Mestra Graziela Ramos B. de Souza, do curso de Graduação em Enfermagem e coordenadora do programa de pós-graduação lato sensu em Enfermagem na Assistência ao Adulto em UTI da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Confira:

Conectar: Vamos direto ao assunto: a retenção de líquidos pode estar relacionada ao ganho de peso? Por quê?
Graziela: Sim. Como temos perdas e ganhos hídricos por várias vias, e quando há disfunção renal, um problema metabólico ou alteração na alimentação, poderá haver ganho hídrico. Se há um aumento de água no organismo, portanto isso irá refletir na balança. Esse ganho hídrico também é muito comum nas pessoas que têm disfunções renais, porque o principal sistema responsável pelo ajuste desses líquidos que ficariam em excesso é o sistema renal.

Conectar: O que mais pode levar à retenção de líquido?
Graziela: Alteração na dieta. É sabido que os alimentos industrializados têm muito sódio, sendo esse habitualmente o grande responsável. O sal, em termos de reações químicas, vai carregar com ele a água. Por isso, acabamos retendo mais líquidos em decorrência desse mecanismo.

Conectar: Que tipos de alimentos ou bebidas devem ser evitados?
Graziela: Em linhas gerais, recomenda-se evitar alimentos industrializados que tenham concentração de sódio. É o caso dos alimentos pré-prontos, como o macarrão instantâneo, tanto o tempero quanto o próprio macarrão, e a maioria das barrinhas de cereais, que muitos acreditam ser saudáveis. Além do sódio, muitas das que estão no mercado não têm valor nutricional e não favorecem o metabolismo – ou seja, o indivíduo ingere apenas açúcar. Quanto às bebidas, os grandes vilões são os refrigerantes, principalmente os chamados “diet” ou “zero” porque os fabricantes retiram o açúcar e colocam mais conservantes para manter o sabor, o que resulta em uma grande quantidade de sódio, como também ocorre com os sucos de caixinha.

Conectar: Qual a quantidade de sódio recomendada por dia?
Graziela: O ideal é cozinhar tudo sem sal e ao longo do dia, nas principais refeições, jantar e almoço, consumir somente o correspondente àquele sachê avulso de sal que encontramos nos restaurantes. Um só desses para cada uma das refeições é o suficiente.

Conectar: Sabemos que beber água ajuda no controle do inchaço. Qual é o consumo recomendável por dia?
Graziela: De forma geral, um indivíduo adulto deve consumir 2 litros de água por dia. É possível, no máximo, colocar uma folha de hortelã, para dar um “sabor” e nada além disso. Essa água que ingerimos promove um rearranjo hídrico no organismo. Os rins vão ter mais fluxo de sangue porque aumenta a volemia (volume sanguíneo) em decorrência da hidratação. O consumo de água hidrata melhor o tecido, o líquido fica no vaso, onde deve ficar, melhora a perfusão renal, e, com isso, é possível eliminar a água na medida certa.

Conectar: Além de beber água, praticar atividade física ajuda a evitar a retenção de líquido?
Graziela: Na verdade, o exercício físico é muito bom para tudo no nosso organismo. Quando praticamos atividade física, modificamos todo o nosso metabolismo. E estamos falando de metabolismo de água também. Se há uma melhora metabólica global, há uma melhora metabólica de água.

Conectar: E quando há essa retenção de líquido, tem partes específicas do nosso corpo que ficam mais inchadas?
Graziela: Sim, isso é muito refletido nas saliências ósseas, como o maléolo, que são os ossos provenientes do pé, o calcanhar, o calcâneo.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 85, em 5/4/2016. Assine nossa newsletter: www.fcmsantacasasp.edu.br.

Faculdade Santa Casa de São Paulo será representada na 21ª Conferência Internacional de Aids

Gustavo Santa Roza Saggese

Gustavo Saggese, pesquisador pós-doutorando da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

A Prof.ª Dra. Maria Amélia de Sousa Mascena Veras, professora adjunta do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e Gustavo Santa Roza Saggese, pesquisador pós-doutorando da FCMSCSP, irão representar a Instituição na 21ª Conferência Internacional de Aids (International Aids Conference), que ocorrerá entre os dias 18 e 22 de julho, em Durban, na África do Sul.

Dos quatro resumos de trabalhos submetidos ao evento, a FCMSCSP teve três aprovados para serem apresentados durante a conferência, que é considerada a mais importante do mundo nessa área do conhecimento. Os trabalhos selecionados abordam as vulnerabilidades, direitos humanos e dificuldades no acesso à saúde enfrentados por travestis, transexuais e transgêneros a partir dos resultados do Projeto Muriel, que tem por objetivo conhecer melhor a realidade dessa população no estado de São Paulo.

O principal objetivo da 21ª Conferência Internacional é reunir especialistas de todo o mundo para o avanço do conhecimento sobre HIV, além de apresentar novas pesquisas, promover e reforçar colaborações científicas e comunitárias de todo o mundo. Participando pela primeira vez do Congresso, o pesquisador Gustavo Saggese diz que essa é excelente oportunidade para apresentar dados sobre essa população para a comunidade científica no exterior: “Esses são dados importantes e ter a oportunidade de conversar internacionalmente e divulgar o que tem sido feito no Brasil pode contribuir de maneira significativa para a construção de redes que auxiliem na formulação de políticas específicas para a população trans no país.”

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 86, em 19/4/2016. Assine nossa newsletter: www.fcmsantacasasp.edu.br.

Zika: saiba como prevenir

Ione Guibu

Dra. Ione Guibu, professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Detectado em macacos sentinelas para monitoramento da febre amarela, na floresta Zika, Uganda, em 1947, o Zika vírus é transmitido para os homens pela picada do mosquito Aedes aegypti contaminado e apenas as fêmeas são as responsáveis pela transmissão. Na década de 50, os primeiros casos em seres humanos foram descobertos na Nigéria e no Brasil, o primeiro caso foi identificado em abril de 2015. De acordo com informações do Ministério da Saúde, há 3 registros de óbitos relacionados à doença no país e o vírus já circula nos 25 estados mais o distrito federal, desde 2 de abril de 2016, exceto Santa Catarina.

Segundo a Dra. Ione Guibu, professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em torno de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika são assintomáticos e os principais sintomas são febre baixa, dor de cabeça, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. “Outros sintomas menos comuns também podem ser apresentados, como dor de garganta, inchaço no corpo, tosse e vômitos. Em geral, esses sintomas desaparecem espontaneamente de 3 a 7 dias após o início da infecção. Formas graves são raras, mas pode ocorrer óbito”, afirma.

Para evitar a proliferação, a Dra. Ione explica que o fundamental é combater os criadouros de Aedes aegypti: “Não deixar água parada em qualquer objeto que permita seu acúmulo como em pratinhos de plantas, pneus, garrafas etc. Vedar bem as caixas d’água ou recipientes para coletar água; não deixar acumular lixo, limpar calhas, ralos. Em nível individual, a prevenção é utilizar repelentes e inseticidas.”

Microcefalia
No caso de mulheres grávidas, o cuidado deve ser redobrado, uma vez que se o vírus for transmitido para o bebê, principalmente nos primeiros meses da gestação, ele poderá apresentar microcefalia (uma malformação congênita que acarreta no desenvolvimento inadequado do cérebro do feto). “As grávidas devem fazer o pré-natal, com consultas mensais, em que são solicitados exames de rotina. Se apresentarem qualquer um dos sintomas suspeitos, devem procurar assistência médica e não tomar qualquer medicação sem prescrição médica”, conclui a Dra. Ione.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 86, em 19/4/2016. Assine nossa newsletter: www.fcmsantacasasp.edu.br.

Saiba quais são as causas, sintomas e tratamento da anemia

Rodolfo Cançado

Rodolfo Cançado, professor adjunto e chefe da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Cansaço, dor de cabeça, tontura, irritabilidade, falta de atenção. Esses são alguns sintomas da anemia. Mesmo sendo muito comum em crianças, a doença também pode atingir adultos e, em 90% dos casos, a principal causa é a falta de ferro, que está presente no interior dos glóbulos vermelhos e é parte integrante de uma proteína chamada hemoglobina.

Segundo Rodolfo Cançado, professor adjunto e chefe da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, os glóbulos vermelhos são as células sanguíneas responsáveis por levar o oxigênio a todas as células do organismo e por isso são tão importantes: “Ferro de menos no corpo faz mal. Quando falta ferro, falta oxigênio e isso traz consequências negativas para a nossa saúde”, explica.

Além disso, de acordo com Dr. Cançado, as crianças podem ter dificuldade de aprendizagem, infecções com mais frequência, e atraso de crescimento. Os adultos, por sua vez, toleram menos os exercícios, têm menor rendimento no trabalho, podem ter palpitação, falta de ar, desânimo e, às vezes, até simular um quadro de depressão.

O diagnóstico da anemia, acrescenta o professor, é tão importante quanto o seu tratamento. Isso porque a doença é um sinal de alerta de que algo está errado com a saúde da pessoa: “O primeiro sinal de um tumor de estômago ou de cólon é a anemia. Portanto, se não investigarmos a pessoa com anemia, podemos perder a chance de fazer o diagnóstico de um tumor numa fase ainda potencialmente curável. É preciso procurar a ajuda do médico. O diagnóstico de anemia é importante, mas a pessoa não deve ficar sossegada enquanto a causa da anemia não for esclarecida.”

O tratamento mais indicado em casos de anemia, segundo o professor da FCMSCSP, é o uso de medicamentos à base de ferro combinado com uma dieta rica em fontes de ferro. “A dieta rica em ferro pode ser suficiente para prevenir a deficiência de ferro, mas o tratamento com medicamentos também é muito importante”, esclarece. A dieta mais indicada para quem tem anemia, afirma o Dr. Cançado, é à base de carne: “As carnes em geral, que são ricas em ferro heme, principalmente fígado, coração, peixes como sardinha em lata e frango são ideais. Além disso, o ferro não heme, presente no feijão, lentilha e nas verduras escuras (couve, brócolis, agrião, rúcula, espinafre, beterraba), apesar de menos absorvido que o ferro das carnes, pode ser uma grande ajuda.”.

TDAH: compreenda como é feito o diagnóstico

Ana Luiza Navas

Ana Luiza Navas, coordenadora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio que se define por três características principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Por ser mais evidente em crianças na idade escolar, educadores e pais precisam estar atentos aos sinais do transtorno. Em entrevista ao Boletim Conectar, a Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Déficit de Atenção, explica o que é o TDAH, como pode ser diagnosticado, além do importante papel do fonoaudiólogo aos escolares com o transtorno.

Conectar: Como podemos definir o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)?
Ana Luiza Navas: Trata-se de transtorno do neurodesenvolvimento de origem neurológica, uma alteração do funcionamento do cérebro, principalmente relacionado com o mecanismo de controle de atenção, o foco de atenção. E a hiperatividade, na maioria dos casos, é relacionada com esse transtorno.

Conectar: Como o TDAH pode ser diagnosticado?
Ana Luiza Navas: Uma das principais preocupações é não confundir o comportamento de uma criança que é apenas agitada, com o comportamento de uma criança hiperativa. Por isso, o diagnóstico deve ser feito por psiquiatras ou neuropediatras, com ajuda de psicólogos, que fazem avaliações e questionários para saber se essa criança realmente tem o nível de atenção e hiperatividade, que excede o que é encontrado em crianças normais. Esse é um comportamento que ocorre nas escolas, em casa, e em todos os ambientes que essa criança frequenta. Há crianças que somente são agitadas na escola, mas, quando chegam em casa, se mantêm tranquilas e atentas; isso não é característico do TDAH. Então, o ambiente as tornam mais agitadas. Já no déficit de atenção não, a criança tem esse comportamento em qualquer ambiente que ela frequenta.

Conectar: Podemos dizer que o TDAH é mais comum em crianças?
Ana Luiza Navas: Não, o que acontece é que a criança ainda está se desenvolvendo e os mecanismos de controle, tanto da atenção quanto do próprio comportamento, são mais evidentes na fase escolar. E esses mecanismos se tornam muito importantes na adolescência, principalmente quando a criança não tem acompanhamento. E quando se torna um adolescente, esse comportamento pode parecer exacerbado. Existem, entretanto, muitos adultos com déficit de atenção. Em razão da maturidade desse paciente, podemos dispor de estratégias de controle para lidar com a desatenção e lidar com a hiperatividade, que é a característica do transtorno. Porém, notamos que alguns adultos são absolutamente descontrolados porque não têm acompanhamento, nem médico e nem do comportamento, e que acabam sendo vítimas desse transtorno. Há estimativas de que acidentes de trânsito acontecem mais frequentemente com a população que tem déficit de atenção, somando-se a outros tipos mais comuns de acidentes, como por exemplo, aqueles causados pelo esquecimento do fogão com a chama acesa.

Conectar: Sabemos que pessoas com TDAH costumam ser agitadas, mas quais os sintomas para identificarmos isso?
Ana Luiza Navas: O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade tem três características principais. A primeira é a desatenção para as coisas mínimas, ou seja, uma dificuldade muito aparente de se manter o foco. A segunda é a hiperatividade, que corresponde a uma atividade comportamental bem maior do que simplesmente a pessoa ser agitada. Já a terceira característica é a impulsividade. Quem tem TDAH é agitado, desatento e impulsivo. E nós vemos isso em várias situações, principalmente na escola, onde esse comportamento é mais disruptivo. Existe uma série de características que são parte desse comportamento e que estão presentes em qualquer criança, claro. Mas, quando esse comportamento afeta o desempenho acadêmico, a vida escolar, o contato com outras crianças, ou na família, e por isso é preciso ser feito o acompanhamento especializado.

Conectar: Qual o tratamento mais indicado?
Ana Luiza Navas: Existem alguns medicamentos para crianças, jovens e adultos que são utilizados, justamente devido à existência de uma base neurológica. Esses medicamentos atuam nas funções e neurotransmissores que supostamente estão falhos e servem para controle da impulsividade, da hiperatividade e da desatenção. Além disso, é importante trabalhar para que a criança e o adolescente consigam controlar esses comportamentos. Algumas estratégias para melhorar esse controle são trabalhadas com o psicólogo, um profissional que analisa o caso de forma bem próxima, além da existência de linhas de terapia psicológica, cognitivo comportamental, que são recomendadas como tratamentos complementares ao remédio.

Conectar: Qual é o papel do fonoaudiólogo no tratamento do TDAH?
Ana Luiza Navas: Mesmo quando a criança faz uso de medicamento e do acompanhamento do psicólogo, ainda assim, existem muitos problemas na escola. Isso porque todo aprendizado depende da atenção e da memória, e a criança que tem déficit de atenção tem muita dificuldade no processo de alfabetização e no desenvolvimento dessas habilidades de leitura e escrita, de compreender um texto. Antes de compreender para ler, é necessário ter atenção, e quando não existe atenção, não existe compreensão. Isso se torna uma bola de neve que reflete no desenvolvimento acadêmico dessas crianças, adolescentes e no caso dos adultos, na universidade, o que, portanto, exige acompanhamento.

O fonoaudiólogo tem cada vez mais se envolvido nesse acompanhamento, que vai fortalecer as habilidades de linguagem, da comunicação oral. Já existem relatos de que a pessoa com déficit de atenção tem essa dificuldade por causa da impulsividade. Esse envolvimento do fonoaudiólogo é extremamente importante porque, sem isso, a pessoa com TDAH pode até tomar remédio, controlar o comportamento, mas ela não irá transferir isso para a situação de aprendizagem.

Conectar: Como seria a prática da atuação do fonoaudiólogo no tratamento de TDAH?
Ana Luiza Navas: O fonoaudiólogo trabalha, por exemplo, com o apoio para a compreensão e elaboração de texto, além de estratégias para usar melhor a atenção. Um relato muito comum de jovens universitários que tem déficit de atenção é de ler a questão de uma prova e responder algo completamente diferente. Isso porque ele leu, não prestou atenção, começou a responder e depois desviou a atenção para outro assunto e não respondeu o que estava sendo perguntado. É claro que não são todas as pessoas que têm esse comportamento de déficit de atenção, mas quem o tem, realmente apresenta mais dificuldade para elaborar um texto e se manter no foco da pergunta. O trabalho do fonoaudiólogo entra justamente nisso: desenvolver esses exercícios e contribuir com estratégias de como responder uma questão, usar a linguagem para melhorar e treinar um vocabulário específico.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 86, em 19/4/2016. Assine nossa newsletter: www.fcmsantacasasp.edu.br.

Zika vírus em pauta

Consulta médica

Consulta médica de uma gestante. Jan Steen. 

A Liga de Neurociências da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo promove, no dia 27/4, quarta-feira, a partir das 17h15, um encontro para debater o tema “Zika vírus”, transmitido por meio da picada do mosquito Aedes aegypti. O evento é aberto e será realizado no Anfiteatro Dr. Paulo Ayrosa (Sala 2), na Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112, Vila Buarque, São Paulo (SP). Estarão presentes os professores da FCMSCSP DraCarmen Lúcia Penteado Lancellotti, Dra. Celina Siqueira Barbosa Pereira, Dr. Marco Aurélio Safadi, além do convidado Dr. Augusto Penalva, médico infectologista.

 

Enfermagem da FCMSCSP marca presença em evento internacional

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Dra. Maria Angela Reppetto e as alunas Marília Santeira de Santana, Lucy Caroline da Silva e Karla Caroline Soares Lopes da Silva

Sob o tema “Humanização, Tecnologia e Saúde”, foi realizado nos dias 7 e 8 de abril, quinta e sexta-feira, o 10º Encontro Luso-Brasileiro de Enfermagem. No evento, o curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, representado pelas professoras Dra. Marcele Pescuma Capeletti Padula e Dra. Maria Angela Reppetto, apresentou os trabalhos das alunas Marília Santeira de Santana, Lucy Caroline da Silva e Karla Caroline Soares Lopes da Silva, orientadas pelas docentes. O objetivo desse encontro internacional foi promover o intercâmbio científico entre pesquisadores e estudantes do Brasil e Portugal.

 

Fonoaudiologia na imprensa

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Prof.ª Dra. Noemi Takiuchi (à esquerda), concede entrevista à Boa Vontade TV. (Foto: Vivian R. Ferreira/LBV)

Nesta quarta-feira, 20/4, a Dra. Noemi Takiuchi, professora adjunta do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, concedeu uma entrevista à equipe da Boa Vontade TV. A Dra. Noemi falou sobre o Trabalho de Conclusão de Curso da aluna Karen Reis Ribeiro, que tem como tema a “Identificação de distúrbios da comunicação em estudantes do ensino fundamental”. Desenvolvido no Complexo Educacional da Legião da Boa Vontade (LBV), de onde a estudante é egressa, o trabalho será apresentado, em agosto, no 30th World Congress of the IALP (International Association of Logopedics and Phoniatrics), na Irlanda.

A pesquisa será divulgada também na revista da LBV, em edição especial enviada à ONU para reunião do Conselho Econômico e Social (ECOSOC), que acontece em julho deste ano em Nova Iorque.  A reunião discutirá a Agenda 2030 para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e a pesquisa será apresentada como um exemplo de ação no objetivo relacionado à Educação de Qualidade para Todos.

Entenda o debate em torno da “pílula do câncer”

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Wagner Montor, professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

A fosfoetanolamina é um composto químico orgânico que mais popularmente ficou conhecido, na mídia, como a “pílula do câncer”, já que foi anunciada como tendo propriedades medicinais que poderiam, em tese, ajudar a combater alguns tipos de tumores. Na semana que passou, após o Governo Federal sancionar lei que libera uso e comercialização da fosfoetanolamina, órgãos como a Associação Médica Brasileira (AMB) se pronunciaram de forma crítica à decisão. Em nota, a instituição afirma que a lei “coloca em risco a saúde dos pacientes com câncer e ignora por completo métodos científicos e seguros para aprovação de medicamentos, além de desvalorizar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do próprio governo”. Já o Conselho Federal de Medicina (CFM), também em nota oficial, recomenda aos médicos brasileiros “a não prescreverem a fosfoetanolamina sintética para tratamento de câncer até que a eficácia e a segurança da substância sejam reconhecidas por evidências científicas”.

Para explicar a origem, o uso e os impactos da substância diante desse tema que ganhou ampla repercussão na mídia, o Dr. Wagner Montor, professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que desenvolve sua linha de pesquisa na área de controle da proliferação celular e câncer, concedeu esta entrevista ao Conectar a fim de esclarecer os principais pontos em torno da fosfoetanolamina. Acompanhe.

Conectar: A fosfoetanolamina – ou pílula do câncer – tem sido pauta recorrente dos principais veículos de comunicação. Como essa história começou?
Wagner Montor: Essa história chegou à grande mídia a partir do momento em que a USP de São Carlos baixou uma portaria proibindo a produção e a distribuição da fosfoetanolamina a pacientes com câncer, o que vinha acontecendo aparentemente desde a década de 90. Pacientes descontentes com a resolução começaram a pressionar a universidade, fazendo com que houvesse uma sucessão de decisões judiciais que, em determinados momentos, a obrigou, por liminares, a continuar com a produção e a distribuição e, em outras ocasiões, a suspendê-las. Não se sabe ao certo se antes desta portaria era de conhecimento da universidade ou não que existia a distribuição aos pacientes, mas a partir de um momento que coincide com a aposentadoria do pesquisador principal, decidiu-se finalmente – e acertadamente –, que isto não poderia acontecer, por inúmeros motivos, como a falta de registro do “medicamento”, a não adequação da infraestrutura da universidade para este fim e a necessidade de estudos padronizados pré-clínicos e clínicos para caracterizar a possível ação e efeitos adversos da preparação.

Conectar: Em quais evidências o grupo de pesquisadores se baseou para justificar o uso?
Wagner Montor: O grupo tem artigos reportando dados experimentais com a molécula a partir de 2011, mas nada que chame muito a atenção, tanto que o impacto das revistas em que foram publicados não é alto. Citam ainda que testes clínicos já foram feitos em parceria com um hospital em Jaú (SP) na década de 90, porém não apresentam dados desse período e o hospital nega a participação, mas parece que pelo interior de São Paulo muitos pacientes usaram e o depoimento deles é o que fomentou esta polêmica. No entanto, entendo que não é assim que se faz ciência e depoimentos dessa natureza têm pouco ou nenhum valor. Há etapas muito bem definidas e rigidamente controladas para se levar uma molécula da bancada do laboratório até a prateleira da farmácia e explicitamente essas etapas não foram cumpridas.

Conectar: Por que temos visto este desencontro entre Ciência e Política?
Wagner Montor: Ao mesmo tempo que a Ciência sabe exatamente o que fazer e quais etapas devem ser cumpridas para análise do potencial terapêutico da molécula, o que leva bastante tempo, devido à forte comoção e pressão popular, o que é compreensível frente a uma doença associada à significativa carga emocional, foi sancionada uma lei, na semana passada, aprovando a produção, distribuição e uso da preparação por todos os pacientes que apresentem um laudo de câncer e assinem um termo de consentimento, em uma situação de exceção, enquanto prosseguem os estudos, abrindo um precedente que fragiliza a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e contraria publicamente os laudos técnicos, que pedem cautela, uma vez que os relatórios iniciais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mostram que, além de não haver efeito contra o câncer in vitro, nos modelos testados até então, a composição das cápsulas é diferente do que vinha sendo anunciado. Do ponto de vista técnico, muitos estudos precisariam ainda ser feitos e resultados promissores precisariam ser obtidos antes de uma decisão como esta.

Conectar: Quais os danos potenciais desta situação?
Wagner Montor: O mais evidente de todos é o fato de pacientes deixarem de fazer o tratamento correto em busca de uma alternativa milagrosa que não tem se mostrado verdadeira, pelo menos até o momento. Existe ainda a possibilidade de a molécula ter o efeito contrário para alguns tipos de tumores, como foi descrito em um artigo do PNAS em 1979, em que fosfoetanolamina se mostrou ser um promotor de proliferação para células de câncer de mama. Por mais que os testes de toxicidade feitos não tenham demonstrado risco imediato no uso, são muitas outras situações que precisam ser analisadas para que a população não seja colocada em risco. Liberar o uso de um potencial medicamento desta maneira, não só sem testes, mas pior, com decisão tomada ignorando testes negativos, abre um precedente perigoso e coloca o Brasil em destaque no cenário mundial. Duas das principais revistas científicas internacionais, a Science e a Nature, publicaram matérias nos últimos dias, discutindo a decisão política que suplantou a decisão científica, abrindo esta discussão acalorada que temos observado.

Conectar: Quais são os próximos passos que provavelmente iremos observar?
Wagner Montor: O MCTI havia anunciado a liberação de 10 milhões de reais para pesquisa em dois anos. Embora os resultados iniciais sejam negativos, os testes continuam. Considerando a atual situação econômica do país e a diminuição de recursos para pesquisa, alocar um volume tão grande para uma única frente, em meio a toda a situação que estamos vivendo com zika e microcefalia, já seria polêmico. Custear produção e distribuição, liberando o uso mesmo antes de conclusões positivas, chamou a atenção de todos. Provavelmente, veremos a continuidade da discussão jurídica a respeito desta liberação, por ações no Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 85, em 19/4/2016. Assine nossa newsletter: www.fcmsantacasasp.edu.br.