O avanço tecnológico e o sedentarismo em função da obesidade

Dr.-Osmar-Monte

Dr. Osmar Monte

Na era dos videogames, tablets e celulares com um arsenal de aplicativos que possibilitam fazer pedidos, pagar contas e realizar compras com apenas um clique, os hábitos rotineiros da população ganharam um novo rumo. De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é uma das principais causas da obesidade. Ainda segundo informações da OMS, em países emergentes como o Brasil, a taxa de obesidade vem crescendo consideravelmente. “É importante saber que a obesidade é uma doença, então quando ela se espalha muito na sociedade torna-se uma epidemia. Hoje, vivemos uma aqui no país, pois o brasileiro importou muitos hábitos norte-americanos especialmente os fast foods, ou seja, trouxemos a obesidade”, afirma o endocrinologista Dr. Osmar Monte, professor titular e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e sócio-honorário da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Dr. Monte explica que não há uma determinada faixa etária em que a doença vem acometendo a população; ela está presente em crianças e até nos mais idosos. “A obesidade tem um componente genético familiar que, infelizmente, a Medicina não tem como mudar. Mas tem um componente ambiental, talvez mais fundamental que o genético, que é a oferta excessiva de alimentos calóricos por hábitos alimentares da população. Na medida em que você troca alimentos de baixas calorias por um fast food, altamente calórico, vai ganhar peso, ainda mais se a genética favorecer”, completa.

De acordo com o vice-diretor da FCMSCSP, em uma combinação de lanche, batatas fritas, refrigerante e tortinha, há 1.200 calorias. Já em um prato com arroz, feijão, bife, salada e uma fruta de sobremesa, encontram-se cerca de 350 calorias. “O número certo de calorias para se ingerir varia com a idade, sexo, peso e atividade física praticada, que é outro problema considerável atualmente porque poucas pessoas encaram o desafio e na medida em que você tem as facilidades de um mundo moderno com avanço tecnológico, você fica mais tempo parado e gasta menos calorias. Assim, o pouco que está comendo é muito pelo gasto energético”, quantifica. Confira algumas dicas do Dr. Osmar Monte sobre como evitar o aumento do peso da população:

Exercícios físicos
Pode apenas parecer uma tendência, mas a prática esportiva ajuda de fato no controle ou na manutenção do peso. Além disso, controla a hipertensão, diabete e traz outros benefícios. “Porém, não adianta malhar por uma hora na academia, ou correr, por exemplo, na qual perder-se-iam 200 calorias, e sair para comer um sanduíche”, adverte.

Quanto aos praticantes de exercícios físicos que notam não haver alteração no peso, o Dr. Osmar Monte lembra que pode ocorrer de o corpo estar ganhando massa magra, que é músculo e isso pesa, mas com certeza estará perdendo gordura. Em todos os casos, isso dependerá da quantidade de exercícios realizados aliados a uma dieta balanceada”, ressalta. Para crianças, o endocrinologista lembra que há poucos parques para brincar nas diferentes regiões do país e que a tendência são os videogames, computadores. “Não é mais seguro brincar na rua. A maioria mora em apartamentos e, por isso, é imprescindível incentivá-las a praticar algum exercício. Lembrando que, em qualquer idade, a atividade mais indicada é aquela que dá mais prazer ao praticante”, aconselha o Dr. Monte.

Educação alimentar
Uma das preocupações, de modo geral na população, é o aumento da obesidade em crianças. “Elas aprendem a comer com os pais e, se eles tiverem maus hábitos, os filhos poderão adquiri-los. Acredito que a disciplina Nutrição deveria estar na matriz curricular das escolas primárias. Deveríamos ensinar as crianças o que são alimentos calóricos e não calóricos, mostrando o que é saudável”, enfatiza o Dr. Monte.

Refrigerantes X sucos
Segundo o endocrinologista, um erro bem comum é trocar os refrigerantes por suco para manter a dieta, mas para a surpresa de todos, há sucos, apesar de saudáveis, que são altamente calóricos. “Os refrigerantes comuns tem açúcar na composição, o que os torna muito calóricos; uma lata tem aproximadamente 165 calorias. Já o suco é um alimento saudável, porém calórico. Uma porção de fruta tem, em média, 50 calorias. Para fazer um suco, digamos que se utilizem três laranjas. Aí já teríamos 150 calorias, mais o açúcar para adoçar, o que faz ingerirmos em torno de 200 calorias”, elucida.

No entanto, o Dr. Osmar Monte esclarece que um refrigerante zero tem realmente zero calorias. “É comum confundir um alimento saudável com alimento que não engorda. O suco é saudável, mas é altamente calórico; ele faz bem para saúde, mas não significa que não vai engordar. Há frutas como o limão que praticamente não tem açúcar. Se optar por beber com adoçante, esse suco terá quase zero calorias”, ensina.

Light X diet

O termo diet é utilizado para um alimento que, em relação ao padrão, possui a ausência de um componente. “Esse alimento é preparado para o tratamento de uma doença, por exemplo, se não tem açúcar ele é dietético para um diabético, sem sal é um alimento dietético para quem tem hipertensão. É importante saber que para uma pessoa normal, ele é um alimento comum, pois o fato de ser dietético não significa que não engorda”, detalha. Ainda de acordo com o professor, o alimento light, por definição, é aquele que em relação ao alimento padrão tem uma redução calórica de 20%. “Esse sim é um alimento dirigido ao público que quer perder peso”, finaliza o Dr. Monte.

Tabela de Índice de Massa Corporal

Abaixo de 17 Muito abaixo do peso
Entre 17 a 18,4 Abaixo peso
Entre 18,5 a 24,9 Peso saudável
Entre 25 a 29,9 Sobrepeso
Entre 30 a 34,9 Obesidade I
Entre 35 a 39,9 Obesidade II (severa)
Acima de 40 Obesidade III (mórbida)

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 75, em 6/10/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

 

 

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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