Pesquisa de alunos da FCMSCSP questiona: é seguro andar de bicicleta em São Paulo?

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Dr. Tércio De Campos

A cada dia que passa, vem aumentando o número de adeptos ao transporte limpo em São Paulo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), o número de ciclistas cresceu 50% no ano de 2014, passando de 174,1 mil para 261 mil paulistanos utilizando bikes, seja para trabalhar, seja para passear. A cidade de São Paulo, inclusive, possui atualmente mais de 477 km de infraestrutura cicloviária (ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas operacionais de lazer), segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Diante desse cenário, o professor do curso de Graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Dr. Tércio De Campos, notou que houve também um aumento no surgimento de ciclistas acidentados no Pronto Socorro do Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. “No meu plantão de hoje, por exemplo, havia dois ciclistas acidentados. Queríamos, então, saber quem era essa população, qual a situação e o tipo de lesão que sofria”, completa o Dr. Tércio.

A partir desses questionamentos e juntamente com o Dr. Renato Pescarolo Zan, presidente do Avisa (Núcleo de Acidentes e Violência da Santa Casa de São Paulo), e por meio do Programa de Educação Tutorial (PET) do Ministério da Saúde, os professores da FCMSCSP selecionaram alunos do curso de Graduação em Medicina com participação mais ativa para discutir o projeto: “Por um ano nós acompanhamos 68 ciclistas acidentados no PS da ISCMSP, o que representa, em média, mais de um ciclista por semana. Desse total, 23 utilizavam a bicicleta para lazer e 45 usavam para trabalho ou transporte. Ainda em cima do número total, cinco ciclistas morreram e, desses, todos tinham sinal de traumatismo de crânio e não estavam usando capacete”, detalha o professor.

Intitulado “Trauma em Ciclistas em São Paulo: é seguro andar de bicicleta?”, o trabalho foi apresentado no 31º Congresso Brasileiro de Cirurgia, realizado em agosto, em Curitiba (PR).  “Do total de ciclistas avaliados, 78% deles sofreram traumatismo no crânio”, explica o Dr. Tércio. Na opinião do professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o uso de capacetes para ciclistas deveria ser obrigatório. A pesquisa visa aumentar a conscientização e a segurança de ciclistas, apresentando a importância do uso de equipamentos de segurança, fiscalização, direitos e deveres dos ciclistas.

“Dezesseis por cento dos ciclistas entrevistados afirmaram não se sentir seguros em andar de bicicleta em São Paulo. Notamos, entretanto, que os ciclistas não respeitam leis de trânsito e não são fiscalizados, – passam em sinais vermelhos, por exemplo –, estão muitas vezes juntos dos carros, pois nem sempre há uma ciclofaixa isolada. Então é perigoso ir para as ruas sem o conhecimento e respeito das leis. Deveria, inclusive, existir uma fiscalização quanto ao uso de álcool e drogas. Nesse estudo, apuramos que um terço dos ciclistas atendidos tinha feito uso destas substâncias no momento da atividade”, ressalta o professor.

O estudo apontou ainda que 55% dos ciclistas que não usavam equipamentos de segurança diziam acreditar não ser necessário seu uso, 8% alegavam o preço como o principal motivo que impedia a sua utilização e outros 5% julgavam que o uso atrapalhava a atividade. Os alunos que colaboraram para a realização da pesquisa, que ainda não foi publicada,  foram Angelo Chelotti Duarte e Diogo Cesar dos Santos (4º ano); Felipe Antonio Sulla Lupinacci (5º); Marcus Vinicius Briani (6º); e os ex-alunos também de Graduação em Medicina: Roberta Bassan, Roberto Topolniak e Lucas Pires Oliveira Cordeiro.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 73, em 9/9/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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