Mitos e verdades que causam dúvidas sobre a higiene íntima

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Dra. Adriana Bittencourt Campaner

Ciente das inúmeras dúvidas que cercam as mulheres, a Dra. Adriana Bittencourt Campaner, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e médica do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, diz o que é mito e verdade na hora de adotar cuidados quanto à higiene íntima correta. Confira!

Usar lenço umedecido para se limpar é melhor do que papel higiênico.

Verdade. O lenço umedecido, se for um produto dermatologicamente comprovado  e recomendado, traumatiza menos a região, ele pode ser usado para substituir o papel higiênico que pode conter corantes e causar irritações, além de retirar resquícios de sujeira e fezes.

Se limpar de “frente para trás” é melhor para evitar infecção de urina.
Verdade. O hábito previne infecções urinárias e genitais como o corrimento. Quando evacuamos e limpamos de trás para frente, podemos trazer alguns resíduos fecais para a uretra e a vagina, causando as infecções genitais.

A limpeza no banho é suficiente lavando apenas a parte externa da vagina.
Verdade. Não é recomendada a lavagem dentro do interior da vagina, pois o ato pode retirar os lactobacilos, bactérias defensoras, e desequilibrar a flora vaginal levando a infecções.

Ter corrimento é normal.
Mito. Temos que diferenciar o corrimento de uma secreção vaginal fisiológica que toda mulher tem. A vagina não é seca; ela tem umidade própria. Essa secreção varia de cor de acordo com as fases do ciclo menstrual, pode sair na roupa íntima e ficar discretamente amarelada. Para saber diferenciar do corrimento que está associado a uma bactéria, note se houve mudança da cor, se está acompanhado de cheiro, ardor e coceira.

Utilizar protetor de calcinha diariamente pode desencadear infecções.
Verdade. A anatomia genital é mais recolhida e fica normalmente abafada o que já propicia infecções urinárias e a proliferação de fungos e bactérias. O protetor impede mais a respiração da área íntima, aumentando a predisposição para proliferação de bactérias e talvez infecções. Uma dica, se a mulher não conseguir ficar sem, é optar, quando estiver fora do ciclo menstrual, pelo protetor que não tem a película plástica em baixo.

O uso de sabonetes específicos para a higiene íntima regula o pH da região.
Verdade. Os sabonetes íntimos, dermatologicamente testados  e comprovado​s​, têm o pH mais ácido que um sabonete comum, impedindo assim a proliferação de bactérias. Porém, ressalto que não é recomendado o uso diário, pois pode causar irritabilidade. O ideal é optar por utilizar em dias alternados ou de duas ou três vezes na semana.

É aconselhável a retirada de todos os pelos pubianos.
Mito. O pelo pubiano serve para proteção da vulva da vagina e a depilação pode causar pequenos machucados que permitem a entrada de bactérias; o ideal seria apenas aparar os pelos principalmente na região dos lábios vaginais. É importante saber que área possui glândula sudorípara apócrinas, parecida com as axilas, que podem causar maus cheiros, por isso a região deve sim receber a depilação adequada.

É indicado o uso de calcinhas de renda ou “lycra”, pois facilitam a ventilação da região.
Mito. É recomendado o uso de calcinhas de algodão ou de outro material, mas sempre com forro de algodão, pois permite maior arejamento da área genital.

Lavar a calcinha com sabão em pó e amaciante é o mais indicado.
Mito. O ideal é lavar a roupa íntima com sabonete neutro, e não utilizar produtos com muita química e perfume, pois podem causar alergias.

Perfumes ou talcos para a região íntima podem desenvolver tumores.
Não podemos afirmar se é mito ou verdade. Há estudos que apontam que o uso destes produtos causa problemas alérgicos. No entanto, há estudos que apontam casos em que algumas mulheres desenvolveram câncer de ovários ao utilizar talcos, por exemplo.  O que podemos afirmar é que o ideal é evitar a utilização de substâncias irritativas na região da vulva.

Piercing e tatuagem íntima não causam problemas.

Mito. As mulheres deveriam evitar a aplicação de piercings e a realização de tatuagem na região genital, pelo risco de lesão de pele e infecção.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 71, em 11/8/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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