Música alta e muita exposição a ruídos são as principais causas das perdas auditivas

Byanka Cagnacci Buzo, fonoaudióloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Byanka Cagnacci Buzo, fonoaudióloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

No Brasil, cerca de 28 milhões de pessoas sofrem com algum problema auditivo, segundo dados de 2011 da Organização Mundial da Saúde (OMS). Número que é crescente, em função, sobretudo, do envelhecimento da população brasileira, de acordo com a organização.

“As perdas auditivas podem ser do tipo neurossensoriais, condutivas ou mistas. As primeiras podem ocorrer em função de exposição a ruídos intensos, traumas acústicos e idade, por exemplo. As condutivas, dentre outros motivos, ocorrem pela presença de secreção na orelha média ou perfuração na membrana timpânica. Um exemplo são as otites. Já as perdas do tipo mistas são resultantes da presença de componentes neurossensoriais e condutivos”, explica a fonoaudióloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Byanka Cagnacci Buzo.

De acordo com a professora, atualmente, no caso das perdas neurossensoriais, grande parte está relacionada à exposição a sons considerados muito intensos. Seja em virtude de atividade profissional ou do mau uso de equipamentos que potencializam estes sons, tais como instrumentos musicais, caixas de retorno, fones de ouvido de celulares e aparelhos de mp3. “O interessante é que este é o único tipo de perda em que há medidas preventivas. Adolescentes e jovens estão mais suscetíveis, uma vez que têm o hábito de escutar músicas em aparelhos de mp3 em volumes muito fortes ou o fazem por muito tempo, e em lugares nos quais o ruído externo é muito forte”, afirma.

Por meio da Norma Regulamentadora nº15, o Ministério do Trabalho estabelece que o trabalhador pode ficar exposto no máximo oito horas diárias a ruídos de 85 decibéis (dB). A cada 5 dB a mais no ruído, o tempo de exposição decresce pela metade. “Por exemplo, se o ruído é medido a 90 dB, o indivíduo só pode ficar exposto por quatro horas”, explica a professora Byanka. Isso se aplica também aos níveis sonoros de música. Em ação recente realizada pelo curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP, no Pateo do Collegio, observamos que o nível sonoro médio dos mp3 dos jovens que foram entrevistados estava em torno de 95 dB, o que indica que eles só poderiam estar expostos a esse som por duas horas diárias.

Para prevenir a perda auditiva, a professora indica as seguintes medidas:

– Evitar utilizar o fone de ouvido em ambientes muito ruidosos, o que faz com o volume utilizado seja mais forte;
– Não ficar exposto a um volume muito forte de sons;
– Evitar ouvir música no fone de ouvido durante muitas horas por dia;
– Procurar utilizar protetores auriculares em atividades profissionais que exijam exposição ao barulho;
– Em caso de queixas auditivas, procurar orientação profissional.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 64, em 5/5/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

 

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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