Depressão atinge 10% da população brasileira, segundo OMS

Dr. Quirino Cordeiro, professor adjunto e chefe do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dr. Quirino Cordeiro, professor adjunto e chefe do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Tristeza intensa, dificuldade de realizar tarefas comuns, falta de sono, alteração do apetite e diminuição da energia vital são alguns sintomas indicadores da depressão. O mal que atinge cerca de 10% da população brasileira, um dos maiores índices no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um transtorno que acompanha a história da humanidade. Ao contrário do que muitos pensam, é um distúrbio que apresenta evidências de alterações químicas no cérebro e no organismo, de forma geral.

Em diversos níveis, a depressão pode ser uma resposta do organismo a traumas psicológicos. Situações de profunda tristeza, luto, abandono, além de enfermidades como o hipotireoidismo podem resultar em quadros do transtorno. Em casos mais graves, o paciente pode tentar atos contra a vida.

Mais comum em mulheres, a depressão pode atingir todas as faixas etárias, inclusive crianças. Conhecida como “mal do século XXI”, a cada dia toma novas proporções e estratégias de tratamento. Uma delas é a prática de atividade física como adjuvante do acompanhamento medicamentoso e psicoterápico. Principalmente pela sensação de bem-estar que promovem, os exercícios aeróbicos e anaeróbicos apresentam bons resultados em pacientes depressivos.

Atividade física como aliada do tratamento

“Existem várias possibilidades terapêuticas no tratamento da depressão. Em casos mais graves, em que o indivíduo não respondeu a nenhum tratamento, pode-se recorrer a eletroconvulsoterapia, que é a indução de uma crise convulsiva por meio da aplicação de uma descarga elétrica no cérebro do paciente”, explica o Dr. Quirino Cordeiro, professor adjunto e chefe do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. “A atividade física também é uma estratégia de tratamento. Todavia, ela nunca pode ser aplicada como intervenção isolada, apenas como complementar do acompanhamento farmacológico e psicoterápico. No entanto, como tratamento adjuvante, seus resultados são muito bons”, explica o professor.

Apesar dos benefícios da prática esportiva no tratamento clínico da depressão, estimular o paciente ao exercício não é uma tarefa fácil, já que há uma diminuição considerável da disposição física em virtude do problema. “Na maioria das vezes, se inicia o tratamento medicamentoso e psicoterápico e, quando nota-se melhora no quadro, é que se que introduz uma rotina de atividade física. Isso de acordo com a abertura que a pessoa der para essa possibilidade. Mas, quando se consegue essa adesão, as respostas do paciente são sempre muito favoráveis”, comenta.

Benefícios

Quando aliado à atividade física, o tratamento clínico da depressão tem resultados muito eficientes, pois melhora a disposição do indivíduo, produz uma sensação de bem-estar e melhora o curso do sono. Além disso, quando incorporada a uma rotina fixa, a prática também é benéfica no monitoramento de peso, na produtividade de atividades rotineiras e diminuição de riscos de doenças cardíacas e hipertensão.

“A atividade física, em geral, é recomendada a todos. Existem diversos estudos que comprovam a eficácia dessa prática na manutenção de uma vida saudável e na prevenção de doenças cardiovasculares em geral. Portanto, recomendo sempre”, finaliza o professor.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 51, em 7/10/2014. Assine nossa newsletter:
http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

One Response to Depressão atinge 10% da população brasileira, segundo OMS

  1. Abner Aguiar says:

    Mega medico já tive o prazer de atuar junto com o mesmo Dr° Quirino no Hoje, muito humano e profissional, sucesso.

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