OMS revela que 10% da população mundial se automedica ao menos uma vez no ano

Dr. Gorzoni - Faculdade Santa Casa de São PauloA automedicação é um hábito comum não apenas no Brasil. Pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 10% da população mundial se automedica pelo menos uma vez ao ano. “Isto ocorre mesmo em países em que qualquer medicamento só é vendido com a receita médica, pois algum parente ou amigo pode dar o que restou de um remédio que consumiu. Há também quem compre em outros países onde são liberados, ou adquire no comércio ilegal, fato que pode ser muito perigoso à saúde”, afirma o Dr. Milton Gorzoni, professor adjunto de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

No Brasil, as grandes drogarias têm espaços para medicamentos que podem ser vendidos sem receita médica. É o caso de remédios para gases, dores e febre em geral, quadro gripal, entre outros. “Estes são liberados porque devem sanar os sintomas em dois ou três dias após a ingestão. Mas, vale o alerta: caso não apresente melhoras, o médico deve ser consultado”, enfatiza Gorzoni.

De acordo com o especialista, o paciente sempre precisa informar ao médico quais foram os sintomas e os remédios ingeridos e, inclusive, se faz uso de medicações contínuas. “Esta é a regra número um. Na dúvida, para não correr o risco de esquecer os nomes, leve as embalagens. Até mesmo vitaminas, fitoterápicos e homeopatias devem ser relatados. Não contar a verdade pode causar problemas como reações adversas, dependendo do que será receitado, além de mascarar ou revelar um sintoma que não existe”, alerta.

O médico acrescenta que há casos de pacientes que vão aos ambulatórios sem nenhuma doença, mas por conta do uso errado de medicamentos. “Eles devem se conscientizar de que não estão habilitados para decidir quais são os melhores tratamentos”, informa.

O professor ainda destaca que os médicos, além de orientar o que o paciente precisa fazer, também devem reforçar o questionamento de eventuais dúvidas. “A receita é um procedimento tão sério quanto uma cirurgia. A prescrição deve estar com letra legível e sem abreviações”, observa.

Antibióticos

A venda deste tipo de medicamento é proibida sem a prescrição médica. “É perigoso o uso por conta própria, pois sem a orientação de um especialista, a bactéria pode se tornar resistente e prejudicar o tratamento. Por isso, também é necessário tomar o remédio de acordo com o período indicado”, declara Gorzoni.

Medicamentos X Alimentos

Muitas pessoas têm dúvidas sobre, por exemplo, se há problema em ingerir certos remédios com suco de laranja. Gorzoni esclarece que há alimentos que podem interferir na substância de alguns medicamentos:

– Antibióticos: não agem quando são tomados com leite.
– Sulfato ferroso: o ideal é a ingestão com suco de laranja, porque assim oxida.
– Remédios para pressão alta: a absorção é melhor quando não são consumidos junto às refeições.
– Medicamentos para doença de Parkinson: o efeito é melhor ao ingerir uma hora antes ou depois de se alimentar.
– Remédios para hipotireoidismo: devem ser tomados com água, em jejum, 30 minutos antes do café da manhã e sem nenhuma outra medicação associada no momento de ingeri-lo.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 36, em 11/3/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

 

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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