Dia Mundial do AVC: mutirão esclarece dúvidas da população

AVCNo sábado, dia 26, com a participação de alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e de médicos da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi iniciado um mutirão para instruir a população sobre o AVC (Acidente Vascular Cerebral), conhecido popularmente como derrame. A iniciativa marca o Dia Mundial do AVC e tem a coordenação da Liga de Neurologia da Santa Casa de São Paulo, liderada pelo neurologista Dr. Rubens Gagliardi, professor da FCMSCSP. Nos dias 28, 29 e 30/10, a ação terá continuidade e será realizada das 9h às 13h, nas estações de metrô Barra Funda, Sé, Brás e República, em São Paulo.

Dia Mundial do AVC

Segundo a Organização Mundial do AVC, uma em cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo da vida. Cerca de 16 milhões de pessoas têm a doença por ano e, desse total, por volta de 6 milhões não sobrevivem. O acidente vascular cerebral ocorre quando há  a insuficiência no fluxo sanguíneo em uma determinada parte do cérebro. Esse fator pode gerar causas diversas: hipertensão arterial, diabetes, cardiopatia, tabagismo, sedentarismo, obesidade, aneurismas. O paciente recuperado de um AVC pode apresentar algum tipo de sequela, como é o caso de paralisação de parte do corpo e dificuldade na fala.a de São Paulo, liderada pelo neurologista Dr. Rubens Gagliardi, professor da FCMSCSP. Nos dias 28, 29 e 30/10, a ação terá continuidade e será realizada das 9h às 13h, nas estações de metrô Barra Funda, Sé, Brás e República, em São Paulo.

Dia de Atenção ao Trauma

Em 6 de novembro, quarta-feira, será realizada a 10ª edição do Dia de Atenção ao Trauma, que acontece anualmente com a organização do Avisa, o Núcleo de Acidentes e Violência da Santa Casa de São Paulo. Nesse dia, a discussão será ampla e em forma de palestras, mesas redondas, oficinas de trabalho prático e até mesmo com encenações.

No encontro, que fará parte da Semana do Trauma, a discussão será sobre a implantação do Sistema de Trauma no país, uma forma de atuar em prevenção, atendimento e reabilitação, ainda não existente no Brasil. O Avisa é um núcleo multiprofissional que funciona como Comissão da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, do qual fazem parte ortopedistas, cirurgiões gerais, neurocirurgiões, enfermeiras, pediatras, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos, entre outros profissionais.

Confira a programação abaixo e se inscreva para participar. Clique aqui.

 PROGRAMA CIENTÍFICO PRELIMINAR
 
7h30 – 8h00
Abertura
8h – 08h30
AVISA: 10 anos!Palestrante: Renato P. Zan (Presidente AVISA)
08h30 – 10h30
Mesa redonda: ATENDIMENTO A CATÁSTROFES E MÚLTIPLAS VÍTIMAS
Moderadores: (a confirmar) | José Cesar Assef
•Atendimento inicial a incidentes com múltiplas vítimas e Sistema de Comando em Emergências.
Cap. Humberto Leão 
•Qual o papel da regulação médica no atendimento a catástrofes?
Antonio Onimaru (SAMU)
•Atendimento pré-hospitalar a incidentes com múltiplas vítimas: papel do médico
Ricardo Galesso Cardoso (GRAU)
•Plano de atendimento intra-hospitalar a múltiplas vítimas
Sandro Rizoli (Canadá)
10h30 – 11h00
COFFEE BREAK
11h – 11h30
Palestra: ENSINO DO ATENDIMENTO AO TRAUMATIZADO NO BRASIL
Presidente: Edivaldo Utiyama (a confirmar)
Palestrante: Newton Djin Mori
11h30 – 12h00
Palestra: O CIRURGIÃO DE EMERGÊNCIA E TRAUMA
Palestrante: Samir Rasslan (USP)
12h – 12h30
Discussão
12h30 – 13h30
INTERVALO PARA BRUNCH E VISITA AOS ESTANDES
13h30 – 14h30
ABERTURA OFICIAL DA SEMANA DA ATENÇÃO AO TRAUMA DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO
14h30 – 17h
Mesa Redonda: SISTEMAS DE TRAUMA
Presidente: Antonio Gonçalves (Santa Casa de SP)
Moderadores: José Cesar Assef (Santa Casa de SP)
Danilo Stanzani (São José do Rio Preto)
•Sistema de trauma: uma necessidade?
Gustavo P. Fraga (Unicamp)
•Linha de Atenção ao Trauma (a confirmar)
•Atendimento ao traumatizado em São Paulo
Maria Cecilia Damasceno (Secretaria Estadual da Saúde-SP)
•Sistemas de trauma na Europa
Carlos Mesquita 
•Sistemas de trauma nos EUA
Raul Coimbra (UCSD-EUA)
17h00 – 18h00
SIMULAÇÃO DO ATENDIMENTO A MÚLTIPLAS VÍTIMAS
Alunos das Ligas do Trauma SP
GRAU / Bombeiro: Ricardo Galesso
Comentários: Roberto Stefanelli (GRAU)
                      Mauricio
Coordenador: Ricardo Galesso
(Local: Praça em frente à Capela da Santa Casa de SP)

“A FCMSCSP abriu inúmeras portas durante minha carreira”

Essa é a declaração do Dr. Alessandro Ferrari Jacinto, ex-aluno da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. O Ex-Santa é geriatra e professor de Medicina da disciplina de Higiologia V da Universidade Nove de Julho. Em entrevista ao Conectar, ele fala sobre sua carreira na área médica e como a FCMSCSP marcou sua trajetória profissional.

Conectar: Descreva como foi seu ingresso na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Dr. Alessandro: Sou de uma pequena cidade chamada Adamantina, no interior do estado São Paulo. Após terminar o colegial, prestei o vestibular e passei logo na primeira vez. Foi algo muito importante para mim, visto que é uma prova concorrida. Iniciei a graduação em 1993, na turma XXXIa e os primeiros anos foram um pouco difíceis, pois tive que me adaptar à nova cidade. Porém, desde o primeiro dia na faculdade, eu tinha a certeza de que estava fazendo um bom curso.

Conectar: Como era sua rotina na época em que o senhor cursava a graduação?
Dr. Alessandro: Eu morava perto da Faculdade, então era bastante cômodo para mim, pois eu podia ir a pé e almoçar em casa, por exemplo. Eu me dedicava muito.

Conectar: Ser médico era seu sonho de infância?
Dr. Alessandro: Eu sempre achei que faria algo relacionado à área de humanas. Inicialmente, pensei em cursar Direito, mas quando fui prestar vestibular, refleti e decidi que queria um segmento mais abrangente porque achei que com a Medicina poderia atuar em várias frentes. Foi algo muito intuitivo, depois que eu me formei, tive a certeza de que tinha escolhido o certo.

Conectar: Por que o senhor escolheu a área de Geriatria?
Dr. Alessandro: Sempre gostei de Psiquiatria, mas no final da graduação, vi que o que eu gostava mesmo era da psicanálise, especificamente. Como eu gostei muito de Clínica Médica, optei pela Geriatria, que, de certa forma tem muito de Clínica Médica e Psiquiatria.

Conectar: Como fazer a graduação e a residência médica na Santa Casa de São Paulo contribuiu para seu fortalecimento profissional?
Dr. Alessandro: O médico que me tornei é basicamente resultado da graduação na FCMSCSP, isso inclui minha maneira de pensar e agir. Mesmo que eu tenha feito um doutorado em outra instituição e agora meu pós-doutorado também em outra escola, eu carrego a Santa Casa comigo. A Santa Casa me abriu inúmeras portas durante minha carreira. Sempre ouvi: “você fez uma grande faculdade!”

Conectar: O que o senhor gostaria de dizer aos jovens que pretendem cursar Medicina?
Dr. Alessandro: Minha mensagem é baseada em algo que aprendi nestes 15 anos desde a minha formatura. Nada vale a pena se você não tiver a habilidade de escutar o paciente. Isso é muito mais valioso do que qualquer outra coisa. Saber escutar é o que vai diferenciar você de um médico ruim.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 28, em 18/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Crescimento da carreira médica abre espaço para novos talentos

Consolidada como uma das ciências mais importantes para a sociedade, a Medicina demanda, cada vez mais, por novos profissionais no Brasil. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), atualmente, o país conta com 387.013 médicos em atividade. Dos profissionais até 29 anos, 54,5% são mulheres e 45,5% são homens, fator que representa mudança no perfil da nova geração na área da saúde.

Já o número de médicos registrados no Brasil atingiu a marca de 388.015, em 2012. Entre outubro de 2011 e o mesmo mês do ano passado, foram contabilizados 16.277 novos registros, o que representa aumento de 4,36% em 1 ano.

Médico há 50 anos, o Dr. Wilson Sanvito, professor titular do curso de Neurologia e livre-docente da mesma área na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, explica que não faltam oportunidades de trabalho aos médicos no país e destaca que a procura pelo curso de Medicina sempre foi elevada, acompanhando também o crescimento do volume de instituições de ensino. “O Brasil é o segundo país com mais faculdades de Medicina, ficando atrás apenas da Índia, embora nem todas as instituições ofereçam ensino de qualidade. Apesar das boas possibilidades de colocação no mercado, é preciso lembrar que a profissão exige dedicação de corpo e alma”, afirma.

Para ele, a forte procura pelo curso é motivada, muitas vezes, por influência da família ou pela busca de bons salários. “Antes de ingressar na carreira médica, o indivíduo deve avaliar sua vocação para a área biológica. Ele precisa gostar de lidar com pessoas e, mais que isso, ter vontade de ajudá-las”, diz o Dr. Sanvito.

Experiência e reconhecimento

Nesses 50 anos, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo já formou mais de 4.500 médicos em 44 turmas de Medicina. Com os cursos de graduação em Enfermagem e Fonoaudiologia, soma 16 e 7 turmas, respectivamente. Hoje, a Faculdade totaliza cerca de 2.600 alunos distribuídos nos cursos de graduação e de pós-graduação, contando com 406 docentes ativos, dos quais 91% são doutores e mestres.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 28, em 18/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Alunos da Faculdade Santa Casa de SP contam suas experiências nos intercâmbios realizados em universidades do exterior

Com o objetivo de promover junto aos alunos a troca de experiências e expandir ainda mais o conhecimento acadêmico, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, por meio do Núcleo de Relações Internacionais, estrutura continuamente parcerias com conceituadas universidades do mundo, em países como Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Itália.

Entre os meses de janeiro e fevereiro de 2013, a norte-americana Brown University, localizada na cidade de Providence, recebeu Arthur Lyra, do 3º ano do curso de Medicina da Faculdade Santa Casa de São Paulo. Ele afirma ter aprendido novos métodos de trabalho, além de conhecer profissionais com ideias inovadoras.

“Foi uma experiência muito construtiva. Participei de um projeto sobre biologia molecular, com equipamentos modernos e professores atenciosos. Acabei sendo coordenado por um professor de Bangladesh, o que favoreceu muito meu aprendizado”, diz.

Ricardo Faé de Moura, terceiro anista do curso de Medicina, também foi para Brown University. O estudante conta que teve contato com especialidades ligadas a métodos moleculares, engenharia genética e biotecnologia, além de acompanhar a dinâmica de um laboratório de uma universidade reconhecida mundialmente.

“Participei de um experimento científico que está em andamento. Foi uma vivência muito enriquecedora, pois abriu os meus horizontes sobre a área da Medicina e sobre o que está acontecendo no mundo. Dessa forma, posso pensar de uma forma mais ampla minha carreira. Por outro lado, também tive a experiência pessoal de viver em outro país e sentir o clima de uma instituição de ensino americana”, conta.

No início de 2013, Raquel Ataíde, aluna do 3º ano do curso de Medicina, ficou durante dois meses no Dana-Farber Cancer Institute, um hospital e instituto de pesquisa filiado à Harvard Medical School, em Boston, nos EUA. De acordo com ela, a instituição é um grande centro de pesquisa tecnológico, em que diversos hospitais integram esse núcleo.

“Considero esta experiência multidimensional e que me fez crescer como pessoa, pois pude morar sozinha. O conhecimento profissional é inquestionável, afinal eu estava em um centro de pesquisa de destaque internacional. Foi muito válido acompanhar como os estudos são realizados e de que forma posso aplicar o que aprendi nos projetos com os quais estou envolvida na Faculdade Santa Casa de São Paulo”, declara.

Marina Gagliardi de Assumpção, também do 3º ano de Medicina, foi para a University of California – Berkeley, nos Estados Unidos. Na instituição, ela esteve um laboratório de epidemiologia molecular, além de assistir seminários e usufruir dos recursos que a universidade oferecia.

“Foi muito positivo e interessante, pois pude me aprofundar na área molecular. Os alunos que realizam esse tipo de intercâmbio ganham muito. Afinal, é um desafio que te faz crescer pessoal e profissionalmente”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 28, em 18/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Encontro com a Coordenação: Radiologia e Sistemas Biomédicos

Radiologia e Sistemas Biomédicos Faculdade Santa Casa de SPA diretoria dos cursos de graduação tecnológica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo realizará no próximo dia 31 de outubro, quinta-feira, das 19h às 20h30, a palestra “Avanços tecnológicos em Radiologia e em Sistemas Biomédicos”. A apresentação será do Dr. Homero José Farias de Melo e do Prof. Esp. Altino Sá Meira.

O tema é voltado aos inscritos no processo seletivo dos novos cursos de graduação tecnológica da FCMSCSP, estudantes de pós-graduação em Diagnóstico por Imagem TC e RM e também a todos os profissionais e interessados nas áreas da radiologia e sistemas biomédicos.

As vagas são limitadas e as inscrições, gratuitas, podem ser feitas exclusivamente pelo e-mail comunicacao.marketing@fcmsantacasasp.edu.br. Lembre-se de nos informar seu nome, e-mail e telefone de contato.

Local do Encontro com a Coordenação: Rua Dr. Cesário Motta Jr., 61, sala 31, 4º andar.

Outubro Rosa: centro acadêmico debate a temática da mulher na área da saúde e na sociedade

Palestras na FCMSCSP - Outubro rosa

Nos dias 21, 22 e 24/10, segunda, terça e quinta-feira, das 17h às 20h, o Centro Acadêmico Manoel de Abreu (CAMA) realizará debates sobre importantes aspectos com a temática da mulher, na área da saúde e na sociedade. Essa é a proposta do encontro “Outubro Rosa”, em alusão ao conhecido movimento celebrado em todo o mundo.

Entre os temas apresentados, estão “Relações entre homens e mulheres: construídas ou naturais?” e “Trajetória das mulheres na Santa Casa e reflexões sobre a atuação dos homens e mulheres na Medicina”. Também estão programadas duas mesas para discussão sobre direito reprodutivo e estatuto do nascituro e violência contra a mulher, com especialistas nas áreas de Direito e Psicologia. Para conferir a programação completa, clique aqui.

O apoio é da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Irmandade da Santa Casa de Misericórdia da Santa Casa de São Paulo, Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho e do Centro de Estudos Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão (Cealag).

Local: Anfiteatro Paulo A. Ayrosa Galvão: Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112, Vila Buarque, São Paulo (SP).

Portas Abertas: conheça o tradicional curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Portas Abertas Medicina FCMSCSPNa próxima terça-feira, dia 22/10, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo promoverá mais uma edição do Portas Abertas para os interessados em conhecer o tradicional curso de Graduação em Medicina da Instituição. Na ocasião, professores da FCMSCSP irão apresentar palestras sobre o curso e os visitantes poderão conhecer o complexo hospitalar e as instalações da Faculdade.

Haverá também o curso de Ressuscitação Cardiopulmonar, simulação de aula de Propedêutica e a apresentação das organizações acadêmicas, com a participação de alunos e ex-alunos. A realização deste evento é do Departamento Científico Manoel de Abreu (DCMA) e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Quando: 22/10/2013, terça-feira, das 13h às 20h30.
Investimento: 25 reais por participante
Inscrições: exclusivamente pelo e-mail joao.ferreira@fcmsantacasasp.edu.br, até a próxima segunda-feira, dia 21. Informe seu nome completo, e-mail e telefone de contato.
Mais informações: (11) 3367-7740.
Vagas limitadas: 30.
Local: Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112, Vila Buarque, São Paulo (SP), no Auditório Emilio Athié.

Ausência de conhecimento em Libras limita acesso de surdos a serviços básicos da saúde

A falta de comunicação entre surdos e ouvintes gera limitações na troca de informações e no convívio social. Preocupada em formar profissionais bilíngues para facilitar o acesso desse público a serviços essenciais, como o da saúde, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo oferece a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em todos os cursos da Instituição, inclusive naqueles em que o programa não é obrigatório.

A Libras é utilizada por uma expressiva parte dos surdos brasileiros e é reconhecida pela Lei Federal n° 10.436 de 24 de abril de 2002. Assim como os diversos idiomas existentes, ela é composta por níveis linguísticos como fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. De acordo com Sylvia Lia Grespan Neves, professora da disciplina de Libras da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e que também é surda, ainda existe uma grande dificuldade para os não ouvintes no Brasil, principalmente pela falta de preparo de profissionais nos serviços básicos, que desconhecem totalmente a língua de sinais.

“Imagine um surdo chegar a um hospital e não poder se comunicar. Certa vez, fui realizar uma ressonância e os atendentes da instituição de saúde não estavam seguros o suficiente para me recepcionar. Nós, os surdos, percebemos que há uma carência de pessoas bilíngues, sendo importante que as empresas também disponibilizem intérpretes”, afirma. Sylvia comenta ainda que vivenciou muitas situações que causaram constrangimento pela falta de compreensão e conhecimento por parte das pessoas ouvintes.

Em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões dos entrevistados declararam ter deficiência auditiva (5,1%). A deficiência severa foi admitida por mais de 2,1 milhões de pessoas. Destas, 344,2 mil são surdas e 1,7 milhão têm grande dificuldade de ouvir. De acordo com a professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Guadalupe Marcondes de Moura, a surdez pode ter causas pré, peri e pós-natais, entre elas: quadros hereditários/genéticos, doenças adquiridas pela mãe durante a gestação – como a rubéola, sífilis e toxoplasmose, por exemplo –, uso de remédios ototóxicos, anóxia, meningite e otites, entre outras. “Traumatismos cranianos e a exposição contínua a ruídos ou a sons intensos também podem prejudicar a audição”, completa.

Guadalupe explica que a Libras é considerada a língua natural das pessoas surdas, porém algumas conseguem desenvolver a oralidade, contudo, o desenvolvimento dessa habilidade depende de inúmeros fatores. “Não utilizamos o termo “surdo mudo”, visto que, mesmo que o indivíduo não tenha desenvolvido a fala, não significa que ele não tenha a capacidade de utilizar o seu aparato vocal na emissão de sons. A terapia fonoaudiológica pode contribuir para que pessoas surdas consigam falar; esses são os chamados surdos oralizados. Porém, existem questões como a idade, tipo e grau da perda auditiva que vão impactar no desenvolvimento dessa habilidade”, diz.

A fonoaudióloga refere que o grau da perda auditiva influencia no uso do aparelho de amplificação sonora individual (AASI) e na indicação do implante coclear. “Para se beneficiar do AASI é necessário que o indivíduo apresente resíduos auditivos, pois a prótese amplifica os sons externos. Já o implante coclear é colocado por meio de um procedimento cirúrgico e geralmente indicado para pessoas que não se beneficiam do aparelho auditivo convencional”, afirma.

Segundo Guadalupe, a aquisição da Libras não é incompatível com o desenvolvimento da oralidade, podendo até mesmo facilitar o processo de compreensão de uma segunda língua, como o português escrito, por exemplo. “Nós trabalhamos dentro de uma proposta bilíngue. Acreditamos que nossos pacientes têm o direito de desenvolver a língua de sinais e a língua portuguesa escrita, bem como usufruir das tecnologias existentes para que também tenham a opção de desenvolver a língua oral. Precisamos somar os esforços; é preciso garantir o direito ao desenvolvimento pleno dessas pessoas com o objetivo de melhorar ainda mais sua qualidade de vida. Nossos alunos aqui da Faculdade Santa Casa de São Paulo, em sua formação, são estimulados a olharem para essas pessoas com ética e respeito. Isso é essencial”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 28, em 18/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.