Prevalência de HIV: necessidade de ações de prevenção dirigidas ao grupo HSH

Pesquisa aponta que 15% dos homens que fazem sexo com homens (HSH) e frequentam a região central da cidade São Paulo estão infectados pelo vírus HIV. O estudo é resultado de parceria entre a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e o Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, e foi realizado entre novembro de 2011 e janeiro de 2012, com o objetivo de traçar um breve perfil da epidemia na população HSH que frequenta essa região.

Foram entrevistadas 1.217 pessoas, das quais 776 concordaram em coletar uma amostra de sangue para análise. Observou-se que 7,4% das pessoas de 18 a 24 anos são soropositivas, entre 25 e 34 anos a prevalência de infectados é de 14%, de 35 a 49 anos o número chega a 27% e soma 18,3% nos entrevistados de 50 a 77 anos.

maria ameliaDe acordo com a Dra. Maria Amélia Veras, professora da Faculdade Santa Casa de São Paulo e uma das coordenadoras da pesquisa, essa prevalência é bastante alta e se compara aos níveis encontrados em países da Europa, da América Latina e Estados Unidos, em que há epidemias concentradas em alguns grupos populacionais.

“Não é correto dizer que o homem que faz sexo com outro homem está em um grupo de risco. Todas as pessoas são suscetíveis à contaminação pelo vírus, porém alguns grupos populacionais apresentam riscos mais elevados, devido a questões comportamentais, culturais, sociais”, diz a especialista.

As entrevistas foram realizadas em 92 espaços previamente selecionados nos distritos da Consolação e República, como bares, casas noturnas, saunas e cinemas.

Para a professora, pessoas que não conviveram com a doença na década de 1980 não têm ciência de que a AIDS era sinônimo de morte, e não entendem a gravidade do problema. “É preciso que o contexto social reforce a mudança no comportamento coletivo”, complementa.

Segundo a Dra. Maria Amélia, são necessárias ações de prevenção dirigidas a esse grupo, com uma linguagem mais próxima a dessas pessoas. “Dos entrevistados, 564 disseram buscar informações sobre a doença na internet. Dessa forma, tem de existir um diálogo com o jovem, utilizando o computador e o celular, por exemplo. Outro fator que é pouco divulgado é a profilaxia pós-exposição que, se tomada em até 72 horas após a relação sexual, torna o risco de infecção bem menor. Esse medicamento está disponível na rede de saúde do SUS no Brasil e poucas pessoas sabem disso”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 23, em 6/8/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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