Aluno da primeira turma de Medicina da FCMSCSP fala sobre sua experiência no curso que completa 50 anos em 2013

Dr. Osmar AvanziO Dr. Osmar Avanzi, diretor do departamento de Ortopedia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi aluno da primeira turma do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em 1963. Em entrevista ao Conectar, ele conta sobre o início da graduação na Instituição e dá dicas para quem deseja ingressar na área médica.

Conectar – Quais foram os desafios de fazer parte da primeira turma do curso de Medicina da Faculdade Santa Casa de São Paulo?
Dr. Osmar Avanzi – Por sermos a primeira turma, tivemos inúmeras oportunidades de conviver com iniciativas para o desenvolvimento da Faculdade. Nós tínhamos o desafio de abrir o curso e lidar com todo aquele ambiente de expectativas dos médicos, e de todos aqueles que organizaram a Instituição. Foi um convívio extremamente proveitoso para nós. Como era uma experiência nova, em que o foco era o ensino prático desde o primeiro ano, tínhamos o aprendizado direto, diferente de outras faculdades.

Conectar – Quando o senhor decidiu ser médico?
Dr. Osmar Avanzi – Eu fui o primeiro médico da minha família. Naquela época, não havia meios para avaliar aptidões, como cursos e testes. Nós tínhamos que nos guiar pelas afinidades com determinada disciplina. Eu fui pelas minhas tendências e descobri isso aos poucos durante o ginásio.

Conectar – Por que o senhor escolheu a área de Ortopedia?
Dr. Osmar Avanzi – Para quem gosta de Medicina, é difícil escolher uma especialidade. Quando cheguei ao 5º ano, tive que optar por uma área, porém eu estava em dúvida entre Neurocirurgia e Ortopedia. Pedi um estágio de Neurocirurgia, mas logo percebi que não era o que eu queria, então fui fazer residência em Cirurgia e, assim que a terminei, fiz Ortopedia.

Conectar – Por que o senhor recomendaria a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para aqueles que querem cursar Medicina?
Dr. Osmar Avanzi – Hoje, surgem muitas faculdades de Medicina, que carecem de um hospital, porém você não pode formar um médico sem o doente. Na Faculdade Santa Casa de São Paulo, o aprendizado dos alunos ocorre no ambiente hospitalar, com profissionais como professores. A convivência com médicos, enfermeiros, técnicos e residentes é muito importante.

Conectar – Antes de ingressar no curso de Medicina, o que a pessoa deve avaliar?
Dr. Osmar Avanzi – Acredito que é preciso ter a personalidade amadurecida e pensar na rotina depois de formado. Essa é a questão que esse indivíduo tem que enfrentar. Ele deve avaliar também a qualidade da Medicina brasileira e como a saúde no Brasil é entendida. A questão da vida prática e o que ele espera de todo o investimento que irá fazer devem estar muito claros. É necessário estar convicto dos fatos reais.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 13, em 19/3/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Tratamento para cura da tuberculose deve ocorrer durante seis meses ininterruptos

Dra. Maria Josefa PenonSegundo dados do Ministério da Saúde, 70 mil novos casos de tuberculose foram notificados no Brasil em 2012. Essa é a quarta causa de morte por doenças infecciosas e a primeira entre pessoas infectadas pelo vírus HIV.

De acordo com a Dra. Maria Josefa Penon, professora assistente do departamento de Medicina Social e da disciplina de Pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que um terço da população do mundo contraiu a bactéria causadora da tuberculose, porém apenas 10% irão adoecer, pois a maioria dos indivíduos consegue bloquear o processo infeccioso.

“Metade desse grupo de 10% será acometida nos dois primeiros anos após o contágio. Os outros 5% poderão apresentar a doença ao longo da vida, pois a bactéria permanece em estado latente e, em determinado momento, pode começar a se multiplicar”, afirma a professora.

A especialista explica que a bactéria mycobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose, é transmitida por via aérea. O paciente com tuberculose nos pulmões, ao tossir, falar ou espirrar, espalha as bactérias no ar por meio de gotículas que podem chegar ao organismo das outras pessoas pela respiração. O micro-organismo se aloja em uma parte dos alvéolos pulmonares e, a partir daí, via corrente sanguínea ou linfática, pode se instalar em qualquer outro órgão ou tecido do corpo humano. “O principal sintoma da doença é a tosse. Quando alguém apresenta esse sinal por mais de três semanas, com ou sem catarro, acompanhado ou não de febre, suores noturnos, falta de apetite, perda de peso, cansaço ou dor no peito, deve procurar um médico para realizar o diagnóstico, pois pode ser tuberculose”, diz.

A doença tem cura desde que tratada durante, pelo menos, seis meses ininterruptos, com quatro fármacos diferentes. “Existem pessoas que, depois de um período fazendo uso da medicação, sentem-se melhor, acreditam que estão curadas e param de tomar os remédios. Esse comportamento permite que a bactéria se torne resistente, piorando o prognóstico do caso. Esse paciente pode passar esse micro-organismo resistente a outras pessoas, dificultando o tratamento da doença. Dessa forma, a tomada dos medicamentos deve ser observada por um profissional da saúde todos os dias, garantindo a cura do indivíduo. A melhor forma de prevenção é o diagnóstico precoce e o tratamento correto para os infectados”, ressalta a Dra. Maria Josefa.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 14, em 2/4/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

“Vivemos as alegrias de todas as inaugurações”

Dr. Osmar CamargoEssa é a declaração do Dr. Osmar Camargo, aluno da primeira turma do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que fala ao Conectar, em mais uma entrevista especial comemorativa aos 50 anos de existência da Instituição. O médico, que atua como ortopedista do Pavilhão Fernandinho Simonsen, no Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, conta sobre o início das atividades da Faculdade, em 1963.

Conectar – O que o senhor pode destacar sobre a primeira turma da FCMSCSP?
Dr. Osmar Camargo – Durante os seis anos da graduação, acompanhamos a evolução da Instituição. Quando eu ingressei no curso, a Faculdade Santa Casa de São Paulo estava instalando suas salas e auditórios. Vimos a confecção do projeto arquitetônico para o recebimento dos alunos. Vivemos as alegrias de todas as inaugurações, do surgimento e contratação dos nossos professores, e, principalmente, acompanhamos a evolução da Instituição até os dias de hoje, o que foi ótimo também para enriquecer a nossa bagagem acadêmica e o orgulho de nos transformarmos em docentes.

Conectar – Quais foram as experiências adquiridas nessa fase inicial da Instituição?
Dr. Osmar Camargo – Tinha uma pressão positiva, por sermos uma nova Faculdade, na qual um sistema educacional de Medicina diferenciado foi implantado, à época, caracterizado principalmente pelo aprendizado prático associado à teoria. Aprendemos dentro de um hospital-escola desde o primeiro ano. Isso nos diferenciou das outras Instituições daquele período, inclusive serviu de modelo para as demais.

Conectar – O que influenciou o senhor na escolha pela Medicina?
Dr. Osmar Camargo – Eu optei pela Medicina quando estava terminando o colegial e foi por influência de alguns parentes, que também são médicos. Eles me mostraram o valor da área médica dos pontos de vista social e assistencial. Assim, eu senti que era uma ótima opção de carreira.

Conectar – Quais são os principais desafios enfrentados na área da ortopedia?
Dr. Osmar Camargo – Um dos desafios de qualquer segmento médico é manter-se atualizado, em função da forte carga de trabalho e da falta tempo para fazer uma leitura contínua de novas informações científicas. Cursos de reciclagem também são extremamente necessários.

Conectar – O que deve ser avaliado antes de ingressar na Medicina?
Dr. Osmar Camargo – Perceber se há vocação para se dedicar a um curso que tem duração mínima de seis anos. A pessoa precisa ter aptidão a abraçar uma grande quantidade de conhecimento e também desenvolver uma visão humanística de servir ao próximo.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 14, em 2/4/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Rápido diagnóstico e pronto atendimento em cardiologia são fatores fundamentais para a formação do aluno em Medicina

Dr. Roberto Alexandre FrankenAs doenças cardiovasculares são responsáveis, em média, por 29,4% das mortes registradas anualmente no país, segundo dados do Ministério da Saúde. De acordo com o Dr. Roberto Alexandre Franken, professor titular do departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, problemas cardíacos são a principal causa de óbitos no mundo e ocasionam grande número de internações.

“É importante que os estudantes de Medicina conheçam de maneira profunda o universo da cardiologia. Se não forem tratadas adequada e rapidamente, as doenças cardiovasculares podem levar à morte. Dessa forma, é importante que o aluno, que será um profissional de saúde, esteja preparado para realizar o diagnóstico e o pronto atendimento”, afirma o professor.

O Dr. Franken ressalta que entre as principais doenças do coração estão a coronariana, que se manifesta clinicamente como angina de peito ou infarto, e a insuficiência cardíaca. “Elas podem resultar de complicações causadas pela hipertensão arterial e alterações das taxas de colesterol e diabetes”, diz. O especialista alerta, ainda, para a possibilidade da existência de um componente hereditário ligado aos problemas cardiovasculares, porém as principais causas das doenças cardíacas são os hábitos e fatores secundários. “Pessoas perfeccionistas e que exigem muito de si, têm mais chances de desenvolver alguma disfunção cardíaca”, enfatiza.

O professor explica que durante o curso de Medicina, a especialidade cardiologia aborda o funcionamento do coração e da circulação, as patologias e os métodos de diagnósticos. “Além disso, são discutidos processos terapêuticos, clínicos, cirúrgicos e intervencionistas, em aulas teóricas, de simulação ou práticas realizadas nos laboratórios. O curso é bem extenso. É uma área bastante abrangente e requer dedicação dos estudantes”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 15, em 16/4/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Ingestão contínua de álcool pode afetar o fígado, o pâncreas e o cérebro

Dra. Carmen Lucia Penteado LancellottiDe acordo com o Ministério da Saúde, pelo menos 1 milhão de pessoas no Estado de São Paulo sofre com o alcoolismo. No mundo, estima-se que entre 10% e 15% da população seja dependente do álcool. A Dra. Carmen Lucia Penteado Lancellotti, professora titular de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, alerta que, além dos pacientes diagnosticados como alcoólatras, a ingestão regular de bebidas alcoólicas ao longo da vida, mesmo que somente em ocasiões sociais, pode causar lesões no fígado, pâncreas e até no cérebro.

“Quando o indivíduo consome uma quantidade muito grande de álcool, ocorre uma alteração no fígado chamada esteatose, com depósito de gordura nas células hepáticas. Esse processo promove uma sobrecarga muito grande no órgão e a reincidência desse hábito ocasiona uma fibrose que pode levar ao quadro de cirrose hepática”, explica a especialista.

A professora afirma que o pâncreas também é alvo dos efeitos causados pelo álcool, em função da possibilidade da pessoa desenvolver pancreatite aguda ou crônica. “Somado a isso, com o passar do tempo, o indivíduo que ingere continuamente álcool também pode apresentar um quadro de demência, afetando o sistema cognitivo, que envolve raciocínio e memória”.

Para a Dra. Carmen, as consequências do alto consumo de álcool variam de uma pessoa para a outra. “É importante nos atentarmos, ainda, ao fato do consumo precoce de bebidas por adolescentes. Os efeitos nos jovens são mais graves com possibilidades de se tornarem adultos alcoólatras, com danos cerebrais permanentes”, alerta.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 15, em 16/4/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

“Meu maior desafio é retribuir para a Faculdade Santa Casa de SP tudo o que dela recebi”

Dr. José Mendes AldrighiFormado em Medicina, em 1971, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o Dr. José Mendes Aldrighi, atualmente Chefe e Professor Titular do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo, dá um panorama sobre suas experiências durante a graduação na Instituição de ensino e como o curso contribuiu para a evolução de sua carreira.

Boletim Conectar – Há algum fato curioso que aconteceu na época em que era aluno da Faculdade Santa Casa de São Paulo?
Dr. Aldrighi – Gostaria de destacar meu trabalho como bolsista dentro da Instituição, pois antes de optar pela Medicina, um dos meus sonhos era ser arquiteto. Minha bolsa incluía um contrato para atuar no Atelier da Faculdade, junto com meu colega de turma Edgard Bolanho, exímio desenhista. Foi exatamente nesse trabalho com meu amigo Bolanho, que tive a oportunidade de desenhar pranchas de anatomia e embriologia, resgatando de uma certa forma o que gostava, desenhar. Outro fato gratificante foi conhecer minha colega de turma Jorginha, com quem me casei e formei minha família.

Boletim Conectar – Como era a sua rotina durante a graduação?
Dr. Aldrighi – Trabalhava no Atelier na hora do almoço e fora da Santa Casa após o expediente para custear meus estudos. Portanto, a rotina incluía o trabalho, a faculdade e, no tempo disponível, que era restrito, o contato com a família.

Boletim Conectar – O que motivou esta escolha?
Dr. Aldrighi – A escolha para ser médico já vinha desde a infância. Tive contato apenas com um médico que atendia minha nona e eu ficava fascinado com a postura dele no diálogo e no exame clínico que fazia. Certamente, foi aí que tudo começou.

Boletim Conectar – De que maneira o curso contribuiu para o seu fortalecimento profissional?
Dr. Aldrighi – O curso na Faculdade Santa Casa de São Paulo foi decisivo. O contato precoce com os pacientes nas aulas de propedêutica, nas enfermarias, nos centros cirúrgicos, no pronto-socorro, conjuntamente com os professores competentes e envolvidos, bem como com os residentes que me antecederam que contribuíram decisivamente para o meu fortalecimento profissional.

Boletim Conectar – Quais são os desafios que o senhor enfrenta atualmente na carreira e que consegue aplicar na prática o que foi aprendido na Faculdade?
Dr. Aldrighi – Meu maior desafio é retribuir para Faculdade Santa Casa de São Paulo tudo aquilo que dela recebi. E, foi tudo para mim. Hoje, meu desafio é continuar me doando ao ensino que me encanta, à assistência que me gratifica e à pesquisa que valoriza a instituição Santa Casa e o Departamento de Obstetrícia e Ginecologia (DOGI).

Boletim Conectar – Quais dicas o senhor pode dar aos pretendentes ao ingresso no curso de Medicina da Faculdade Santa Casa de São Paulo?
Dr. Aldrighi – Estudem e não desistam! Insistam para serem mais um dos privilegiados de adentrar ao “Palácio do Conhecimento Médico”, que é a nossa inigualável Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 15, em 16/4/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.