Dr. Franken ressalta importância do exame de saúde

Confira abaixo reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 10/1/2013, com a participação do Dr. Roberto Franken, cardiologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Lei livra academia de exames médicos

Nova regra promulgada pela Câmara determina avaliação só para frequentador que não esteja dentro da faixa etária de 15 a 69 anos

10 de janeiro de 2013 | 2h 03
DIEGO ZANCHETTA, JULIANA DEODORO, RODRIGO BURGARELLI – O Estado de S.Paulo

Uma nova lei promulgada ontem pelo presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT), livra as academias de São Paulo de realizarem exames médicos semestrais e na admissão de cada um dos seus alunos. A obrigação havia sido estabelecida por uma lei municipal sancionada em fevereiro do ano passado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). A justificativa é que a regra estava causando “ônus de ordem econômica e burocrática” às academias e seus frequentadores.

A nova lei é uma das principais reivindicações dos donos de academia, que reclamavam de ter de aumentar o preço das mensalidades para arcar com os custos dos exames. A partir de agora, só precisarão fazer exame médico nas academias os frequentadores que não estejam dentro da faixa etária de 15 a 69 anos.

Já quem se enquadra nessa idade vai ter apenas de responder a um questionário de prontidão para atividade física. Esse documento vai trazer perguntas como “você sentiu dor no peito quando realizava atividade física?” ou “toma algum medicamento para pressão arterial?”.

Se houver alguma resposta positiva, o usuário terá de assinar um termo de compromisso se responsabilizando, caso decida fazer academia sem se consultar com um médico. A lei se originou de um projeto apresentado pelo então vereador Antonio Donato (PT), hoje secretário de Governo e homem-forte da gestão Fernando Haddad (PT).

Na justificativa apresentada para o projeto, ele afirmou que a lei aprovada ano passado acabava com o incentivo às atividades físicas e estimulava a prática de exercícios por conta própria – o que pode trazer mais riscos à saúde do que em uma academia, por exemplo.

Donato afirmou também que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica a atividade praticada em academias como de baixo risco. “A exigência de exames médicos desestimula a prática de atividades físicas justamente no local mais seguro e adequado para isso, já que as academias são legalmente responsáveis pela qualidade e segurança dos serviços e equipamentos oferecidos e são obrigadas a manter profissionais de educação física em suas dependências, os quais avaliam e monitoram os usuários”, escreveu.

Tramitação. A proposta não chegou a ser votada em plenário pelos 55 vereadores. O regimento interno da Câmara permite que um projeto que exija maioria simples para a sua aprovação vire lei passando apenas pelas comissões temáticas. Nesse caso, ele só teria de passar por plenário caso ao menos um décimo dos vereadores apresentasse recurso contra a sua aprovação direta pelas comissões.

Américo afirmou que a liderança do governo Kassab chegou a apresentar pedido para que a proposta passasse por plenário. Mas, no fim do ano passado, o recurso foi retirado e o projeto aprovado, passando apenas pelas comissões de Constituição e Justiça, Atividade Econômica, Saúde, Promoção Social e Trabalho e Finanças e Orçamento. Ela foi sancionada pelo presidente da Câmara porque expirou o prazo legal para que o prefeito a sancionasse.

“Fiz o que a lei determina, que é promulgar um projeto que o prefeito deixou de sancionar. Faria isso com o projeto de qualquer outro vereador”, argumentou ontem o presidente, José Américo. Ele, porém, elogiou a modificação sugerida por Donato nas regras dos exames médicos. “Sou totalmente favorável ao projeto desde o início de suas discussões (em maio de 2012)”, acrescentou o petista.

Obrigatoriedade era ignorada em muitos estabelecimentos

Professora conta que em sua academia exame nunca foi cobrado; tema causa discussão em vários lugares do mundo

10 de janeiro de 2013 | 2h 03 – O Estado de S.Paulo

A gerente financeira Márcia Pereira, de 40 anos, descobriu há nove anos que era hipertensa. Um ano depois da descoberta, começou a malhar, já sob orientação médica, mesmo sem a obrigatoriedade do exame. “Se tivesse começado a malhar sem saber que era hipertensa, poderia ter tido um enfarte. Acho o exame super importante”, diz.

Ela conta que muita gente da academia que frequenta reclamava da regra. O local aceita dois tipos de exame: o feito com médico particular ou com o médico da academia, que cobra taxa de R$ 40 para realizá-lo. “As pessoas não têm tempo e acaba sendo um problema a mais.”

É o caso do engenheiro civil Rodrigo Maciel, de 33 anos. No ano passado ele quase teve que ficar parado por um tempo porque a catraca da sua academia não libera a entrada de quem está devendo o exame. “O plano de saúde não marca uma consulta de um dia para o outro, leva pelo menos 15 dias”, afirma. Ao saber que o exame não seria mais obrigatório, o engenheiro ficou satisfeito. “Acho que cada um deve se preocupar com a própria saúde. O exame dava trabalho e era apenas um transtorno.”

Mesmo com a lei, nem todas as academias cumpriam a regra. Na academia da professora Milena de Oliveira, de 24 anos, o exame nunca foi cobrado. “Na prática, essa mudança não vai nem me afetar”, diz.

A obrigatoriedade do exame médico antes da prática de exercícios físicos é uma polêmica em diversos lugares do mundo, diz o cardiologista e professor da Faculdade Santa Casa Roberto Franken. Para ele, obrigar todos os usuários a fazer o exame é algo complexo e de difícil operacionalidade, mas o cardiologista reitera que o exame é importante e que as pessoas devem se preocupar com a própria saúde.

“Se a lei não obriga a pessoa a fazer o exame, ela deve individualmente se cuidar”, afirma Franken. Ele lembra que quem tem histórico de hipertensão na família e já está com a idade avançada deve redobrar a atenção. “Homens acima de 45 anos e mulheres de 50 em diante devem se cuidar. / D. Z., J. D. e R. B.

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Links: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,lei-livra-academia-de-exames-medicos-,982451,0.htm
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,obrigatoriedade-era-ignorada-em-muitos-estabelecimentos-,982448,0.htm
 

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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